A FILOSOFIA MEDIEVAL NO BRASIL E NO RIO GRANDE DO SUL 

Alfredo Culleton 1

Resumo: Queremos neste paper oferecer um panorama da historia e atualidade do estudo da filosofia medieval no Brasil, seus representantes, origens e relevância. Para isso faremos uma breve retrospectiva da formação das universidades, a influência da Igreja Católica na formação da academia no Brasil e a atualidade do estudo e da pesquisa da filosofia medieval no Estado do Rio Grande do Sul e no Brasil.

Palavras-chave:Historia da Filosofia; Idade Média; Tomismo no Brasil; Academia; Universidade

a) TOMÁS DE AQUINO NO BRASIL

1. A história de um país sem universidades

A proximidade linguística, histórica e cultural entre os países latinoamericanos de formação hispânica e de formação portuguesa, não pode esconder as grandes diferenças que existem entre eles. Uma delas, que aqui nos interessa, é o fato de que, enquanto os espanhóis criaram centros universitários no século do descobrimento, os portugueses proibiram expressamente sua instituição nas colônias, com o claro propósito de, assim, preservar o domínio político sobre elas. No Brasil, depois da Independência, durante o Império, o interesse da coroa se limitou à fundação de algumas faculdades de Direito e Medicina. Foi somente em 1908, com a criação da Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, que se iniciou um trabalho sistemático de estudo de Filosofia; recém em 1922 se instituiu, no Rio de Janeiro, a Universidade do Brasil; e somente na década de 30, com o surgimento da Universidade de São Paulo, é que o país passou a contar, de fato, com uma verdadeira universidade.
Longe da academia, a investigação filosófica e sua transmissão não têm como sobreviver. A Filosofia brasileira, por isso, viveu mais dos ecos do que se passava na Europa; quanto ao pensamento escolástico-tomista, durante séculos, as velhas lições da escolástica portuguesa fui tudo o que se conheceu. Não se admira que também o neotomismo, por muitos anos, permaneceu entre os artigos que se importavam da Europa e, por vezes, também da Argentina.

2. As faculdades de Filosofia, Ciencias e Letras

Na segunda metade do século XX, na medida em que o ensino superior se expandiu pelo país, se criaram não só universidades, mas também inúmeras Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras, muitas delas vinculadas à Igreja Católica. A falta de professores titulados fez com que vários sacerdotes, geralmente formados em Teologia, em Roma, atuassem como docentes de Filosofia, possibilitando, logicamente, o ensino sistemático e generalizado do tomismo.
O que poderia ter sido algo positivo se tornou, a pesar de tudo, um desserviço tanto ao conhecimento de Tomás de Aquino como à Filosofia em geral. De fato, um olhar retrospectivo mostra que, na maioria das vezes, as aulas de Filosofia se limitavam à mera apresentação de resumos, tomados de manuais trazidos da Europa, sem um mínimo de criatividade. Eram raros os mestres que tinham na sua base intelectual um contato direto com a obra de Tomás, e mais raro ainda eram os que tencionavam transformar suas aulas num trabalho de cunho filosófico. Ainda pior: sob o manto da Filosofia se transmitiam conhecimentos teológicos, algumas vezes com características apologéticas, outras como delimitação diante do pensamento moderno, mas muito poucos que tivessem a ver com aquilo que frei Tomás qualificaria como a veritas rerum.
Como resultado, depois de meio século, constatou-se que a quantidade de cursos de Filosofia e de mestres de formação escolástica não correspondia, qualitativamente, ao desenvolvimento duma Filosofia de saber tomista ou, ao menos, cristã. Também no Brasil, portanto, Tomás de Aquino foi vítima do pior dos preconceitos: o preconceito a favor.     

3. O pensamento tomista brasileiro nos seus primórdios neotomistas

As colocações que acabam de ser feitas retratam parte duma realidade. São o avesso da moeda, cujo reverso consiste num lado positivo de importante significado histórico. Seja-nos permitido recordar aqui alguns momentos e nomes mais significativos deste período.
Em 1908, ao se fundar a Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, começava suas atividades, como professor da mesma, o padre belga – depois monsenhor – Charles Sentroul (1876-1933). Doutorado em Louvain, com tese sobre Kant traduzida para o alemão e premiada pela Kantgesellschaft, tornou-se referencia para a elite intelectual de São Paulo com os seus cursos e conferências. Neotomista, da escola de Louvain, mostrou-se atento ao mundo do seu tempo, reservando a Kant boa parte da sua produção literária.
Seu sucessor foi o também belga e doutor por Louvain, Leonardo van Acker (1896-1986), durante mas de 40 anos comprometido com o magistério. Homem aberto à Filosofia contemporânea, tanto soube questioná-la a partir do tomismo, como, a partir dela, questionar o último, que julgava historicamente ultrapassado, mas não sem valor para o presente. Acreditamos não estar exagerando ao dizer que o professor van Acker foi o principal articulador da Filosofia neotomista no Brasil neste período.
No Rio de Janeiro, ainda capital da República, sob a orientação do cardeal Sebastião Leme, era fundada, em 1941, a Pontifícia Universidade Católica, entregue à direção dos padres jesuítas. O tomismo de origem romana (principalmente da universidade Gregoriana) predominou nela, não tanto por estudos sobre Tomás de Aquino, mas pelo modo de praticar Filosofia ad mentem sancti Thomae por parte dos seus mais ilustres mestres.
Entre estes cabe destacar os nomes do Leonel Franca e Maurílio Penido. Leonel Franca (1893-1948), na sua breve e dinâmica existência, não escreveu obras rigorosamente classificáveis como filosóficas, no sentido estrito do termo, mas foi, sem dúvida, das mais brilhantes cabeças do pensamento brasileiro do seu tempo, com uma rica produção bibliográfica de 15 volumes, entre os quais se destaca A crise do mundo moderno, o mais importante estudo brasileiro sobre Filosofia da Cultura 2. O padre Franca foi tomista de estrita observância, contrapondo a doutrina perene do Aquinate aos desvios do pensamento moderno; mas isso não o impediu de dialogar com a Filosofia do seu tempo.
Já o padre Maurílio Leite Teixeira Penido (1895-1970), filho de família de bens, fez seus estudos na Europa e lá foi ordenado sacerdote. Ditou aulas e adquiriu fama como teólogo no velho continente, onde se tornaram conhecidos seus livros La function de l’analogie dans la Théologie Dogmatique e Dieu dans le Bergsonisme 3. Deu aulas em Fribourg por mais de uma década, voltando ao Brasil para se dedicar às atividades filosóficas. Conheceu Tomás de Aquino principalmente através dos comentadores (sua profunda análise da analogia se dá por intermédio de Caietano, não de Tomás). Tal como Leonel Franca, seus estudos do pensamento moderno, com o qual dialogou magistralmente, serviram sempre para contrapô-los à Filosofia escolástico-tomista.
Com pensadores deste nível nos dois principais centros culturais do Brasil, o tomismo conheceu um período de grande desenvolvimento. A maior abertura em São Paulo e a linha mais conservadora do Rio de Janeiro não criaram grupos de ultra-conservadorismo, o que fez com que o pensamento católico do país se mantivesse em posição de relativa abertura ante o mundo do seu tempo.
Nesta época se colocou o problema da tradução da obra de Tomás de Aquino para a língua portuguesa. Em 1944 começava a publicação da edição bilíngue da Suma Teológica, feita pelo Prof. Alexandre Correa. Entre 1980 e 1981 o professor De Boni revisou uma nova edição, em 11 volumes, cujos 2.000 exemplares se esgotaram em menos de três anos. A Suma contra os gentios, que D. Ludgero Jaspers traduz já na década de 30, mas que permaneceu como manuscrito, foi retomada por D. Odilão Moura (que traduziu o 4º livro) e revisada por De Boni, sendo lançada em edição bilíngue, em 2 volumes (1990-1996). O De ente et essentia conheceu traduções de José Cretela Jr. (1952), João L. Baraúna (1973), D. Odilão Moura (1981) e Carlos A. R. Nascimento (1995), sendo esta bilíngue. D. Odilão traduziu também Exposição sobre o Credo (1975) e Compêndio de Teologia (1978, 2. ed. 1997). Carlos A. Nascimento traduziu outros diversos textos, entre os quais, em trabalho primoroso, o Comentário ao De Trinitate de Boécio (1999).  O De regimine principum, em fim, foi traduzido por Arlindo Veiga dos Santos (3. ed. 1955), e sobre a base desta tradução reapresentada por Carlos A. R. do Nascimento (1997).
O “retorno às fontes” produziu também os primeiros estudos de nível internacional sobre Tomás de Aquino por parte de brasileiros. Sem ser exaustivo, cabe citar aqui: Ubaldo Puppi (Itinerário para a verdade, 1955), Carlos Lopes de Matos (Um capítulo da história do tomismo: a teoria do conhecimento de Santo Tomás de Aquino e sua fonte imediata, 1962), D. Luciano Mendes de Almeida (A imperfeição intelectiva do espírito humano, 1977), bem como os artigos altamente técnicos de Carlos A. R. do Nascimento, Francisco B.de Souza Netto, D. Odilão Moura e Henrique C. Lima Vaz.  

4. A posição única de Jacques Maritain

As atividades intelectuais de Centroul, van Acker, Franca, Penido e de outros ilustres neotomistas, favoreceram o surgimento de uma elite católica leiga, na qual se destacou Alceu Amoroso Lima (1893-1983), sem dúvida o maior nome da laicidade católica brasileira do século XX. Sua atuação no Centro D. Vital transformou a instituição num local de estudos e debates com alcance nacional. O fundador do centro, Jackson de Figueiredo, tinha um projeto claramente conservador, não muito distante do integralismo. Com Alceu se dá uma mudança, no qual é de fundamental importância a leitura de Tomás de Aquino feita por Jacques Maritain. Deste se tomou muito mais o pensamento político-social que o metafísico, mais que Os degraus do saber, leu-se O humanismo integral. Com Maritain, grande parte da elite católica se atualizou, tornando-se capaz de debater os grandes problemas mundiais e, sobretudo, começando a perceber a situação de atraso cultural, político e principalmente social em que se encontrava o país.
Foi através de Maritain que o tomismo brasileiro elaborou um pensamento político, onde categorias como democracia, governo, pobreza, riqueza, etc., ademais da tradicional conotação teológica, passaram a ser tratadas também cientificamente. E foi exatamente a aceitação do pensador francês, por parte de alguns, e a não aceitação por parte de outros, que apontou, pela primeira vez, para a ruptura ideológica que mais tarde alcançaria o catolicismo brasileiro.

5. Ler Tomás à luz da modernidade

No final da década de 50, em fim, se chega a um terceiro momento: o da leitura do mestre medieval a partir do estudo de pensadores modernos. O nome dominante do período é, sem duvida, o do jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz – que consideramos a maior cultura filosófica brasileira do século XX. A ele nos permitimos juntar o nome do Prof. Ernani Fiori, nosso professor na UFRGS.
Lima Vaz, abarcando o périplo filosófico desde a Metafísica até a Ética, recupera para o pensamento tomista dois momentos fundamentais da modernidade: por um lado, o da posição privilegiada do homem na tentativa de compreensão do ser (Heidegger) e, por outro, o de trazer para o núcleo do fazer Filosófico a categoria da historicidade (Hegel).  Some-se a isso o impacto que as ideias de Mounier e Teilhard de Chardin exerceram naqueles anos, bem como a renovação pela qual passou o pensamento católico com o Concílio Vaticano II.
Pode-se dizer que, nesse momento, o tomismo chegou às ruas. Dirigida por líderes intelectuais de peso, como Joseph Comblin, Carlos Josaphat, Hugo Assmann, o próprio Lima Vaz e outros, a Juventude Universitária Católica elaborou um projeto cristão de reformas sociais, capaz de disputar espaço político com o marxismo. Neste ambiente se formaram inúmeros professores e políticos de destaque nacional que vão desde José Serra a Patrus Ananias passando pela Esther Pillar Grossi ao Ernildo Stein.
Mas foi também o momento da grande ruptura: parte das elites católicas, e do episcopado, sob o impacto ‘revolucionário’ das novas ideias, optou por permanecer dentro dos moldes tradicionais da Filosofia, julgando que nelas haveria uma clara inspiração em Karl Marx e temendo que as mudanças acabassem por desembocar no comunismo. De outro lado, oposto, se pregava a necessidade de superar as fases anteriores e partir para uma nova relação entre teoria e práxis.
Não é necessário dizer que isto significou uma ruptura dentro do tomismo e da Igreja brasileira. Nem cabe aqui historiar os caminhos pelos quais os dois grupos seguiram. Permitimos-nos somente observar que a ruptura não foi provocada pela recepção de Marx; não reside no pensamento deste filósofo a chave para a compreensão da ruptura ideológica entre os dois grupos: foi Hegel, com suas categorias de historicidade e de dialética, quem tornou difícil, se não impossível, o diálogo entre as posições.

b) A CONSOLIDAÇÃO DA ACADEMIA

Uma geral da Filosofia

De fato, as pessoas mais preparadas intelectualmente são padres ou positivistas de vertente maçônica e as faculdades de filosofia serão rapidamente ocupadas pela tradição católica. Gente provinda da Historia, da Teologia e do Direito ocuparão as principais cátedras das faculdades.
Com a reforma educacional da década de 60 o Brasil assume um projeto de expansão universitária e de qualificação de docentes. Ao mesmo tempo em que estimula a preparação de profissionais nas diferentes áreas, vai casando os quadros mais qualificados, no mínimo nos departamentos de filosofia.
Os primeiros filósofos formados em filosofia serão livres docentes do final da década de 60: O Carlos Roberto Cirne Lima, o Ernildo Jacó Stein e o Gert Bornhein. Mesmo assim,  Cirne era formado em Economia e Stein em Direito. O primeiro filósofo dedicado apenas a filosofia é Álvaro Luiz Montenegro Valls (também formado pelos jesuítas).

A filosofia medieval

Na filosofia Medieval contamos, no final dos 70, com o Luis Alberto De Boni, capuchinho que retorna após fazer doutorado em filosofia na Alemanha, mas com fortes raízes na teologia. Afasta-se da ordem e dedica a sua vida intelectual ao desenvolvimento da filosofia medieval, não só com a sua própria investigação e erudição, mas trazendo especialistas do mundo europeu e latinoamericano para interagir com o Brasil. Fez um inestimável levantamento bibliográfico, em todas as bibliotecas públicas e privadas no Brasil, do acervo relativo á Idade Média que foi publicado e atualizado permanentemente. Foi durante nove anos, Presidente da Comissão Brasileira de Filosofia Medieval; Organizou a nova edição bilíngue, da Suma Teológica (Porto Alegre, 1980-1), o que, por vezes, significou também traduzir novamente algumas das partes; Fez a revisão da edição bilíngue da Suma contra os gentios (Porto Alegre, 1990-1996), onde também teve que, seguidamente, traduzir de novo inúmeros trechos; publicou dezenas de artigos, em revistas de diversos países, sobre o pensamento filosófico medieval e organizou coletâneas temáticas de diversos tipos; publicou o número do mês de setembro da revista Veritas, destinado ao estudo da Filosofia Medieval.  Em termos de periódicos, a única revista especializada atualmente é a Scintilla publicada pela Faculdade de Filosofia são Boaventura dos franciscanos de Curitiba desde 2004. Por isso tem se usado muito as coletâneas.
Em termos institucionais, a filosofia medieval no Brasil tem um lugar e uma data de nascimento: Brasília, 13 de setembro de 1982. O núcleo de Filosofia do Departamento de Geografia e História da Universidade de Brasília vinha realizando diversas Semanas de Filosofia estudando o pensamento de renomados filósofos, resultado do qual foram publicadas coletâneas de estudos sobre Hegel e Kant.  Neste caso, a X Semana de Filosofia foi dedicada ao Pensamento Medieval, onde se deixou a critério de cada participante escolher o seu próprio tema, exceção feita ao Dr. Celestino Pires, da UnB, a quem se pediu que preparasse uma comunicação de caráter geral e introdutória à Semana, que intitulou “Filosofia e Filosofias na Idade Média”. Seria este o referencial teórico e prático da investigação na área da filosofia medieval no Brasil. No texto do professor Pires o aspecto teórico acentua o perfil historiográfico, ao mesmo tempo em que amplia o resgate da maioria das vertentes cristãs desde Agostinho a Ockham, sobretudo, as escolásticas. As referências os filósofos judeus ou muçulmanos são no sentido da sua contribuição ao pensamento cristão. E quase nenhuma à filósofos não acadêmicos como Dante e Mestre Eckart. Nesse mesmo tempo foi fundada a Sociedade Brasileira de Filosofia Medieval, que completou 27 anos de fecunda existência.
No aspecto prático, este primeiro encontro sobre Pensamento Medieval, foi marcado por professores doutores na sua íntegra, de formação católica, eruditos na língua latina, devotos de boas bibliotecas e bons articuladores. Os resultados do seminário foram publicados pela Loyola, enquanto as coletâneas anteriores o foram pela Universidade de Brasília.

c) DEPOIS DA CAPES E O CNPq

Depois de anos de significativos investimentos da parte das agências na qualificação e institucionalização do saber acadêmico em diferentes áreas, e deve ser destacado que a Filosofia Medieval sempre foi considerada uma importante área a filosofia, o mapa no Estado é o que se segue. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com cinco importantes programas de pós graduação em filosofia: UFRGS, PUCRS, UFSM, UNISINOS e UFPel. Os cinco contam com, no mínimo, um especialista em filosofia medieval. A PUCRS tinha até este ano uma linha de pesquisa dedicada a medieval, atraindo alunos de todo o país. Em termos de publicações, a PUC tem dado uma significativa contribuição na área juntamente com a ESTEF, a escola superior dos franciscanos, e a EST, do padre Robilio.
Na ANPOF (associação Nacional de Pós graduação em Filosofia) existem três grupos registrados e atuantes na área. Um dedicado à Recepção da Filosofia Antiga na Idade Média, coordenado pelo Dr. Alfredo Storck, da UFRGS; outro sobre Neoplatonismo, coordenado pelo Dr. Oscar Bauchwitz, da UFRN; e um terceiro, Filosofia na Idade Média, coordenado pot Roberto Pich, da PUCRS. Internacionalmente existe a SIEPM (Sociedade Internacional de Estudos em Filosofia Medieval), sociedade que conta com mais de 50 anos e que historicamente reuniu os mais significativos filósofos. Conta atualmente com mais de 800 sócios pagantes em dia e é composto por uma presidência, três vice-presidentes, um secretário, um editor e um comitê científico composto por oito membros que busca representar, o mais amplamente possível, o universo da filosofia medieval no mundo, sendo consultada constantemente para decidir políticas, recomendar edições e apoiar eventos pelo mundo. Durante muito tempo o representante pela América latina foi Francisco Bertelloni, grande professor e editor da Revista Patristica et medievalia,  que é a revista mais antiga e importante da área na região. Atualmente foi escolhido, por voto direto, um brasileiro, com mandato de dez anos.
No futuro, provavelmente, uma vez dado o passo da consolidação como área, mesmo que de maneira um pouco dispersa no que diz respeito aos focos de pesquisa, o desafio seja ir reunindo a investigação em torno de algumas identidades que nos caracterizem e no qual possamos ser pensados como referência. Por isso, a SIEPM recomendou a criação de um grupo de trabalho em torno de uma das áreas que historicamente foi vinculada à Filosofia Medieval, mesmo que cronologicamente não o seja, que é a Segunda Escolástica, desenvolvida durante os séculos XVI e XVII na península ibérica, que teve uma significativa importância no desenvolvimento da América Latina e que, com muita dificuldade, encontramos um que outro especialista na área da Filosofia.

 Middle-Age’s Philosophy in Brazil and Rio Grande do Sul.

Abstract:In this paper we provide an overview on the history and present the study of medieval philosophy in Brazil, its most representatives personalities, it’s origins and relevance. To do this we will briefly review the formation of the universities, the influence of the Catholic Church in the training academy in Brazil and the current study and research on medieval philosophy in the state of Rio Grande do Sul and Brazil.

Keywords:History of Philosophy;  Middle-age. Tomism. Academy. University.

1 Doutor emFilosofia. Professor de Filosofia Medieval no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNISINOS. Editor da Revista Filsofia Unisinos. culleton@unisinos.br.

2 A 6. edição desta obra (Porto Alegre: Edipucrs, 1999), inclui um prefácio da autoria do mais brilhante aluno de Leonel Franca, o Pe. Henrique C. Lima Vaz S. J.

3   Este livro somente agora está sendo traduzido para o português, estando sua publicação prevista para o corrente ano, através da editora da PUCRS que, aliás, deverá publicar a obra completa do autor no decorrer dos próximos anos.

Referências:

CAMPOS, Fernando Arruda. Tomismo no Brasil. São Paulo: Paulus, 1998.

MOURA, D. Odilão. Ideias católicas no Brasil. São Paulo: Convívio, 1978.

TORRES, João Camilo. História das ideias religiosas no Brasil. São Paulo: Grijalbo, 1968.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – ISSN 1984-5634

Revista indexada:

http://seer.ufrgs.br/aedos/article/view/9841/5676