No segmento educacional, abre-se um leque de possibilidades com o uso da nova tecnologia apresentada pela Apple

 

Adriana Gandin

Com a chegada do iPad no Brasil, no final de 2010, surgiram iniciativas de empresas de médio porte e grandes corporações para a utilização dessa nova tecnologia apresentada pela Apple.

No segmento empresarial, o iPad está sendo utilizado em três abordagens principais: 1) Transformação do material estático de propaganda e divulgação em material multimídia interativo; 2) Economia de tempo (correção de eventuais erros) e de recursos (principalmente papel) na confecção destes materiais; 3) Uso de uma tecnologia inovadora e diferenciada no desenvolvimento de aplicações integradas ao negócio da empresa.

No segmento educacional, abre-se um leque de possibilidades. Apesar disto, são poucas as iniciativas, e estas visam, principalmente, ao uso do iPad como instrumento de leitura dos tradicionais materiais didáticos. Nosso foco é o uso do iPad como instrumento de transformação dos tradicionais materiais didáticos em conteúdo multimídia interativo, buscando a inovação das práticas escolares, tanto no aspecto tecnológico quanto no curricular.

A EADes adotou o lema: “High Touch para um mundo High Tech” inspirada na ideia apontada por Ron Jonhson (Vice Presidente Apple – Varejo e Estratégias Comerciais), pois acredita na valorização das pessoas no uso da tecnologia. Nessa mesma perspectiva, pensando no segmento educacional, construiu o programa iPad na sala de aula, visando à utilização desta nova e atrativa tecnologia como ferramenta de ensino e de aprendizagem, trabalhando com projetos de estudo, envolvendo professores e alunos.

É quase unânime o entendimento de que a escola básica atrasou-se na incorporação da tecnologia. Mais importante ainda é o fato de que, muitas vezes, por falta de clareza sobre o processo educativo e pela pressão para que se a utilize, escolas acabam comprando aparelhos e máquinas que nem sempre são adequados a um desenvolvimento humano global para a idade dos alunos. É percebida também a falta de formação dos professores para o uso adequado do aparato tecnológico.

Na verdade, a tecnologia, numa escola, deve ser uma ferramenta para implementar um meio, que é o currículo, para o fim de ajudar crianças e adolescentes a se educarem nas três vertentes humanas que precisam ser desenvolvidas: conhecimentos, habilidades e atitudes, estas alicerçadas numa sã hierarquia de valores.

Atualmente, cada vez mais, os estudos pedagógicos e didáticos apontam para o trabalho com projetos de estudo como meio para construir processos transdisciplinares, adequados à idade dos alunos e à eficácia do ensino. As novas diretrizes curriculares também apontam nesta direção.

No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, destinar-se-ão, pelo menos, 20% do total da carga horária anual ao conjunto de programas e projetos interdisciplinares eletivos criados pela escola, previsto no projeto pedagógico, de modo que os estudantes do Ensino Fundamental e do Médio possam escolher aquele programa ou projeto com que se identifiquem e que lhes permitam melhor lidar com o conhecimento e a experiência. (Resolução CNE/CEB 04/2010, Art. 17)

A propósito, essa mesma Resolução, incentivando e valorizando a utilização das tecnologias, orienta

A base nacional comum e a parte diversificada não podem se constituir em dois blocos distintos, com disciplinas específicas para cada uma dessas partes, mas devem ser organicamente planejadas e geridas de tal modo que as tecnologias de informação e comunicação perpassem transversalmente a proposta curricular, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, imprimindo direção aos projetos político-pedagógicos. (Resolução CNE/CEB 04/2010, Art. 14, § 3º)

Reunir esta clara tendência para o uso de projetos de estudo na escola com o desenvolvimento do uso da tecnologia da informação é o objetivo do programa iPad na sala de aula.