Quatro salas do Instituto Tomie Othake, em SP, revelam diversas facetas do ator, diretor e roteirista

Mariana Belley – O Estado de São Paulo

Foram 54 anos de carreira, mais de 80 filmes, 67 feitos antes de seus 30 anos. Charlie Chaplin é uma das figuras mais notáveis do século XX, ícone do cinema mudo. Para revelar os bastidores dessa história, o Instituto Tomie Ohtake traz pela primeira vez ao Brasil a exposição Chaplin e sua imagem que abriu para o público na quinta-feira, 20 de Outubro.

A mostra é dividida em quatro salas que revelam as diversas facetas e o desenvolvimento gradual do ator, diretor e roteirista inglês, nascido em Londres em 1889, considerado um mestre da comédia pastelão.

Logo no início, o visitante se depara com um Charlie Chaplin menino, ainda sem os trajes que o tornariam famoso. Alguns passos adiante e todos os elementos artísticos que culminam na formação e construção do personagem Carlitos, como a chapéu coco, o terno preto, sapatos sempre maiores que os pés, uma bengala de bambu que entorta com facilidade, bigode facilmente confundido com o do ditador alemão Adolf Hitler e um par de pernas tortas são revelados.

No centro da sala, um telão nos revela um dos primeiros filmes feitos por Chaplin no estúdio Keystone. Mabel at the Wheel, de 1914, traz um Chaplin ainda malandro, com grande inclinação pela mulher do vizinho, diferente do personagem melancólico e solitário tão enraizado na memória coletiva. Junto ao longa, temos um making of em cores com cerca de 3 minutos, de O Grande Ditador, feito por seu irmão, Sydney, em 1940. No percurso, destacam-se os cartazes originais dos filmes que retratam a evolução de Carlitos.

Fama e o exílio

Na segunda sala, um Chaplin já famoso toma conta do lugar. Capas de revistas e fotos com figuras célebres como Albert Einstein retratam a ascensão do personagem.

No auge da fama, em 1930, Chaplin mostra uma crescente preocupação com questões sociais. Filmes como ‘Tempos Modernos’ (1930) e ‘O Grande Ditador’ (1940) ganham uma galeria de fotos. Essas obras foram marcadas por elementos de crítica à vida moderna e à massificação e retratam essa nova fase que, futuramente, em 1952, resultaria em seu exílio na Suíça.

Em outro ambiente, três telões exibem trechos de obras de diversas épocas. É possível sentar e entender porque Charlie Chaplin é o mestre do cinema pastelão. Cambalhotas, corre-corre, escorregões, fugas, danças e pontapés se destacam, onde só é possível ouvir risadas.

Chaplin diretor

A quarta e última sala da exposição é uma homenagem ao cineasta Charlie Chaplin. Nela, há fotos dos bastidores de filmagens, com Chaplin atrás das câmeras e o elenco pronto para gravar. Uma curiosidade: Antes de começar a gravar uma cena, ele tinha o costume de representar os personagens envolvidos na comédia, como se ele fosse vivê-los, para que o imitassem no momento da filmagem. Imperdíveis os filmes caseiros em cores onde se vê um Chaplin já grisalho, cercado por seus filhos e reencenando as peripécias que o tornaram famoso.