No brunch do mosteiro há até visita guiada. O destaque são os belos vitrais coloridos

Diz o ditado que não há domingo sem missa. No mosteiro de São Bento, no Centro, não só se comprova a máxima quanto é permitido a qualquer cristão com algum dinheiro no bolso cometer, sem culpa, o pecado da gula. Assistir à missa dominical ganha ares gastronômicos no último domingo de cada mês, quando os monges beneditinos abrem as portas do templo para um brunch após a missa. O convite custa R$ 130,00 por pessoa e, apesar do preço, o evento está sempre lotado – a próxima edição, dia 28 de agosto, teve os 160 convites vendidos em apenas um dia. O menu é preparado por um chef convidado, que muda de uma edição para outra.

A comilança funciona em sistema self service. O difícil é escolher o que comer entre tantas opções

A ideia do brunch surgiu em 2007 durante a passagem do Papa Bento XVI por São Paulo. “Queríamos dar às pessoas a oportunidade de conhecer o local onde o Papa ficaria hospedado”, diz o Irmão João Baptista Barbosa Neto, produtor cultural do mosteiro. Sem periodicidade definida, o evento perdeu força. Voltou em junho de 2010, nos moldes atuais, após a missa das 10h. “Além da cerimônia, temos o canto gregoriano, o órgão e a própria basílica, um ícone arquitetônico. É um programa sem igual”, diz, cheio de orgulho, o Irmão João Baptista.

Quem quiser pular a cerimônia religiosa pode aparecer as 11h30, quando começam o brunch e as atividades culturais. No evento acompanhado pelo #CentroAvante, em de 31 de julho, havia duas exposições: uma de obras de arte sacra restrita aos convidados do brunch e outra da artista plástica Cristiane Carbone. Na área do teatro do Mosteiro, um coral de canto gregoriano interpretou até um tango de Carlos Gardel.

Os doces mais gostosos? A torta de três chocolates e o merengue de morango. Para quem está de dieta, há frutas

Depois de assistir à apresentação de canto e visitar as exposições, os visitantes seguem, enfim, ao salão onde o brunch é servido. Dois garçons se encarregam de servir espumante para todos. Na hora de sentar, uma surpresa: as mesas comportam dez pessoas. O jeito, então, é fazer amizade com gente que você não conhece. Tinha de tudo no último brunch: uma brasileira radicada em Londres há oito anos (apenas de passagem pela cidade), uma jovem jornalista católica fervorosa, de malas prontas para participar da Jornada Mundial da Juventude, em Madri, e até um rapaz de 21 anos postulante ao título de monge.

 

 

Entre uma história e outra, os convidados levantam para se servir – o brunch funciona no esquema de bufê self-service. Da última vez, as receitas foram elaboradas pela chef Lia Tulmann. Ao todo, foram nove pratos (com destaque para o salmão defumado com creme azedo), dez doces e frutas.

Ao fim do brunch os convidados participam de uma visita guiada pelo prédio. Como brinca o irmão João Baptista, é uma forma de ajudar a digestão. A única parte não visitada é a clausura, onde vivem os monges. “Lá é a nossa intimidade. Evitamos o que vem de fora para que não afete nosso cotidiano”, afirma Baptista. Na saída, um balcão é montado para vender os pães e bolos produzidos na padaria do Mosteiro. Eles não são servidos no brunch, mas os interessados podem levá-los para provar em casa. Se ainda houver apetite.

Serviço

Brunch do mosteiro de São Bento, s/nº. Metrô São Bento. Informações pelo tel. 2440-7837 (Múltipla Eventos).

Texto e fotos: Lívia Laranjeira (Época São Paulo – http://colunas.epocasp.globo.com/centroavante/)