Mosteiros são provas vivas e dinâmicas da boa arte de administrar

A administração monástica ficou conhecida, ultimamente devido o seu destaque no best seller “O monge e o executivo”, escrito por James C. Hunter, a partir de uma expeiência pessoal.

A obra esclarece e apresenta o perfil adequado a um verdadeiro líder, um líder servidor.

O monge entra no Mosteiro com um único objetivo: Cristo. Mas para alcançá-lo necessita de três meios apresentados pela Regra de São Bento – também chamada de Regra Beneditina – (Comunidade, abade e regra).

O Mosteiro é regido por um líder, chamado abade. Neste local o monge exercita a obediência, no silêncio e na humildade. Seguindo e praticando a Regra, o monge é elevado para uma dimensão onde o amor e Deus fazem-se presentes.

Regra de São Bento teve papel importante na forma de estudar ocidental

Sabe-se que nem São Bento nem seus companheiros tiveram, ao fundar o monaquismo cristão ocidental nenhuma a intenção intelectual. Seu contexto histórico era o dos saques bárbaros e constante declínio do império romano. Os monges procuravam se afastar das cidades em busca de paz espiritual, um local propício para sua ascensão e encontro com Deus.

A Regra regula a vida da comunidade, cuja principal tarefa é a oração, perspassada pelo trabalho manual. Assim, todas as horas do dia tem sua utilização prevista na regra, de modo que o monge está sempre ocupado. Todas as horas que não são dedicadas as atividades de oração ou trabalho manual, o monge deve se dedicar ao estudo. Deste modo, a regra define seu papel preponderante na organização de estudos introduzida no ocidente. Os mosteiros se tornaram fontes de saber, casas de cultura onde eram conservados os clássicos da literatura de então – cristãos ou não. Foram nos mosteiros que tiveram início os estudos hermenêuticos, teológicos e filosóficos da Europa. A medicina também teve certo desenvolvimento a partir de experiências e estudos dentro dos mosteiros.

A música ocidental deve muito aos monges. Foi Guido d’Arezzo quem organizou as notas musicais que quando criança aprendemos em nossas primeiras aulas de canto – DO – RE – MI – FA – SOL – LA – SI – a partir do hino de São João Batista.

Dentro da clausura, o monge pode se dedicar ao estudo de maneira privilegiada, cabendo ao mosteiro não apenas transmitir e gerar conhecimento, mas, sobretudo, definiu a forma ocidental de estudar e de fazer cultura.

Com tal aporte, foram surgindo nos mosteiros escolas. Famílias abastadas encaminhavam seus filhos a tais edificações, afim de que adquirisse conhecimento e base para administrar seus bens e dar continuidade ao clã. Também as primeiras universidades medievais surgiram nos mosteiros.

A Regra de São Bento e o ensino nos mosteiros brasileiros – São Paulo

No Brasil muitos mosteiros mantêm escolas e faculdades. O Mosteiro de São Bento de São Paulo tem a honra de ostentar a 1ª Faculdade de Filosofia da América Latina, criada em 1908.

Fundada como Faculdade de Filosofia, ciências e letras de São Bento, foi o núcleo fundacional da PUC de São Paulo, criada em 1946. Ela comum neste período encontrar alguns monges lecionando em diversos cursos de uma das mais importantes universidades do país.

Hoje, a Faculdade de São Bento se mantém ativa, com os cursos de graduação em Filosofia – destaque no ENADE – e Teologia, Mestrado em Filosofia. Tudo baseado na administração beneditina.

Sempre com participação ativa na sociedade paulistana, a Faculdade de São Bento teve alunos e professores que se destacaram nos meios políticos, intelectuais e artísticos do Brasil. Entre seus docentes ilustres, podemos citar o grande historiador Affonso d’Estragnolle Taunay e o governador de São Paulo André Franco Montoro.

Em vista de oferecer meios adequados para nossos executivos, a Faculdade de São Bento Juntamente com o INPG – Instituto Nacional de Pós-Graduação abre novos cursos de Pós-graduação em Administração. Será a melhor maneira de crescer, aliada a solidez beneditina em São Paulo, com os métodos mais inovadores da área, satisfazendo os desejos pessoais, a partir do conhecimento de si, evoluindo assim na maturidade psicológica e espiritual, critérios para bem administrar.

É a prova de que a Regra de São Bento, após 1.500 (mil e quinhentos anos) após ser redigida, ainda é atual, alcançando seus objetivos: boa administração e bem-estar.

Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB