Vitrais, teto, capelas e órgão com 6 mil tubos serão reformados em três etapas; na última fase, em 2013, casamentos ficarão suspensos

Detalhes. Órgão instalado em 1954, ano do quarto centenário de São Paulo, terá peças trocadas

Felipe Tau e Marici Capitelli – O Estado de S.Paulo – 05 de julho de 2011

Prestes a completar 100 anos, a atual Basílica do Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo, passará pelo primeiro grande restauro de sua história. As intervenções começam nesta semana e só terminam no fim de 2014. Segundo um dos porta-vozes do mosteiro, Irmão João Baptista, as missas serão celebradas normalmente nesse período, mas os casamentos serão cancelados na última fase dos reparos, entre 2013 e 2014.

É nesta fase que serão recuperados o teto e os três vitrais. “Não existe a possibilidade de manter os casamentos, haverá andaimes e tábuas”, diz o padre. Até 2012, ainda é possível agendar cerimônias na igreja, mas a partir daí serão aceitas inscrições apenas em uma capela menor do mosteiro, em restauro até abril de 2012, com espaço para 200 pessoas sentadas. Um dos locais mais procurados da cidade, o mosteiro tem 15 casamentos marcados para este ano e 20 para 2012, quando se comemora seu centenário, em 11 de julho, Dia de São Bento. O preço para trocar alianças ali é de R$ 6 mil.

A recuperação será feita em três etapas. Até o fim do ano, serão reparadas 12 imagens de apóstolos, com cerca de 3 metros, além da Capela do Santíssimo. Em 2012, será a vez das capelas laterais e do órgão com mais de 6 mil tubos. O instrumento foi instalado em 1954, no 4.º centenário da cidade. Segundo o Irmão João Baptista, ele terá algumas peças trocadas, mas continuará funcionando. Se for preciso, há um órgão elétrico para substituí-lo. “Não há necessidade de interdição. Além do mais, queremos que as pessoas acompanhem a reforma, para ver o quanto vai melhorar e dar valor ao mosteiro”, afirma.

O custo da reforma não foi informado, mas sabe-se que ela será inteiramente financiada por um patrocinador que não teve a identidade revelada. “O mosteiro é um patrimônio arquitetônico religioso que a sociedade se identifica e faz referência a ele na cidade. E o importante de um monumento é justamente esse reconhecimento que as pessoas atribuem a ele”, diz Francisco Zorzete, diretor da Companhia do Restauro.

Casamentos. Com capacidade para 800 convidados, os casamentos no Mosteiro de São Bento são sinônimos de glamour. Não é raro a noiva comprar os dois horários de celebração – que ocorrem aos sábados -, por R$ 12 mil, para ter exclusividade.

Até o ano passado, Fátima Leonhardt, de 54 anos, assessora e cerimonialista, organizava os casamentos no mosteiro. “Além da beleza do lugar, a atmosfera dos monges encanta muito as noivas”, diz. Para ela, outro diferencial da basílica é o fato de os ritos do casamento serem seguidos à risca. “Tem ainda toda a beleza do órgão. O casamento lá é realmente um diferencial.”

De acordo com Fátima, o perfil das noivas que se casam lá é de classe alta. “Boa parte delas também faz a festa na Sala São Paulo, que é outro espaço caro.”

Marcia Possik, da Marriages, agência que organiza casamentos, diz que o custo não seleciona o público. “Muitas pessoas de classe média também se casam lá porque fazem questão da beleza da igreja.”

A médica Silvia Simão, de 29 anos, casou-se no mosteiro em março. Marcou a cerimônia com menos de um ano de antecedência. “Dei sorte, porque quando liguei lá o dia que eu queria estava vago”, conta. Ela optou pelos dois horários e não se arrepende. “Foi uma cerimônia linda.”

A BASÍLICA POR DENTRO

A construção da Basílica do Mosteiro de São Bento começou em 1910, seguindo projeto de Richard Berndl, professor da Universidade de Munique e um dos melhores arquitetos da Alemanha. A decoração é assinada pelo beneditino belga dom Edelberto Gressnigt. A igreja só foi consagrada em 1922, quando foram instalados os sinos e o relógio. Em sua visita ao Brasil, em maio de 2007, o papa Bento XVI rezou uma missa para os integrantes do mosteiro em uma das capelas da igreja. Na ocasião, o mosteiro passou por uma restauração, mas a basílica teve apenas sua fachada lavada.