Irmã Teresinha é a monja de clausura que está a mais tempo no mosteiro: 84 anos. Um verdadeiro record Guinness. Atualmente tem 103 anos e segue vivendo em seu convento de toda a vida: Buenafuente del Sistal (Guadalajara)

a monja que mais tempo vive na clausura no mundo: 84 de seus 103 anos

Pertencente a ordem Cisterciense, foi durante mais de 20 anos superiora de sua comunidade religiosa. Espanhola nascida em Foronda (Álava), faz parte com outras nove monjas de clausura de um livro entitulado “Que fazes uma garota como você em um lugar como este?”, para explicar a riqueza interior e a felicidade que faz a vida contemplativa.

No dia em que Bento XVI nasceu, Irmã Teresinha (Teresita) ingressava no Convento Cisterciense de Buenafuente. “Tinha medo de entrar. Mas o Senhor me ajudou. Não sabia nada de monjas, mas Ele e Santa Teresinha me ajudaram e me prepararam para que eu não me acovardasse”.

Dedica sua vida a oracão e ao trabalho no Convento. Segundo suas proprias palavras, “ainda que reze muito, tenho minhas fugas… Tenho uma imaginacão muito louca. Enquanto me descuido, já estou distraída. Então volto a rezar a Virgen Maria e ela me traz à oracão e a meu trabalho.

“Sempre fui um pouco “traste” e continuarei sendo, reconhece. Por isso,  digo a  Virgen tantas vezes: Quero olhar em teus olhos, falar com tua boca, ouvir com teus ouvidos e amar com teu coração”.

Ano passado assitiu ao final da copa do mundo: “eu não entendo nada de futebol, mas gritava gol e me alegrava”.

“Não posso viver aborrecida no Convento”

Irmã Teresinha é a imagem da felicidade: “Não se pode viver aborrecida no Convento. Acaba mal. Ou és feliz ou nada”.

Seu segredo para a felicidade: “Cada um é feliz em sua profissão. A felicidade se sente quando cada um segue sua vocação. Isso só compreende quem realmente vive”.

Irmã Teresinha (Valéria de nome civil), no entanto, é uma vocação tardia: “Não gostava de monjas, com bem que tinha em minha casa! Eramos lavradores. Estavamos no campo desde a manhã até a noite, trabalhando, mas vivíamos bem. Eu era a mais velha de sete irmãos e com minha irmã passava o dia brincando, eramos felizes. Mas meu pai, vendo a vida que levavamos no campo, e pensando que as monjas não trabalhavam, nos persuadiu, a minha irmã e a mim: E eu, para contentar a meu pai, rezei a padroeira de Vitoria e lhe pedi que me desse vocacão… “

“Uma vez tive a tentação de imaginar como poderia ser minha vida fora, pois parecia que aqui não havia nada. É uma crise pela qual passamos muitas vezes, pensar que aqui não fazemos nada. Mas conversei com um sacerdote que me disse que eu tinha uma vocação maravilhosa. Eu sou muito feliz e não invejo nada de fora. É uma graça de Deus. A vocação e a perseverança são duas graças que Deus tem me dado”.

“Não entendo outra maneira de viver”

Esta expert em tortilla de batatas (as melhores segundo as outras monjas do Convento), todos os dias recebe e lê o jornal e acredita que sempre há coisas para fazer: “Se Deus ainda me quer aqui, por algo será”. “Sei que muitos não entendem minha maneira de viver, mas eu não entendo outra”.

Resumindo sua vida: “O maior dom que recebi em mais de 100 anos foi a oração. Sem ela não se pode se sustentar. Cada dia é uma opção de oração. Eu não devo repetir: “Obrigado, perdão, obrigado, perdão”.

Irmã Teresinha será recibida pelo Papa na Jornada Mundial da Juventude no mês de agosto

Um jornalista adentra o convento

Pela primeira vez na Espanha, um jornalista entra em vários mosteiros de clausura para entrevistar a dez religiosas. Trata-se de algo único nunca ocorrido antes. Pertenecem a diferentes congregações e carismas. São testemunhos de religiosas Agostinianas, Clarissas, Carmelitas Descalças, da Imaculada Conceição, Filhas de Maria Nossa Senhora, Reparadoras da Virgem das Dores…

Através das páginas do livro “Que fazes uma garota como você em um lugar como este?” (sem tradução em português), o leitor se converte em visitante de um Mosteiro de Papel, cujas celas estão habitadas por dez mulheres autênticas de nosso mundo e nosso tempo, que respondem abertamente a estas e outras perguntas sobre a vocação, explicando como é a vida dentro da clausura, que valor tem a pobreza, o que as fez tomar semelhante decisão, e se já cumpridos cem anos valeu a pena viver quase um século dedicado nada menos, nada mais, a Deus.