Não é sempre que as monjas beneditinas do Mosteiro de Nossa Senhora da Consolação, no Reino Unido, deixam o monastério. Ainda mais surpreendente é que elas tenham decidido trocar o prédio de 171 anos para tomar posse de um novo lar: em 2009 elas começaram a habitar uma construção moderna que segue as mais altas especificações de carbono zero.

O ecomosteiro de Victorian Stanbrook

As religiosas deixaram a centenária abadia Victorian Stanbrook, localizada em Worcestershire, na Inglaterra, e estão agora num convento construído dentro do parque nacional North York Moors, que foi totalmente projetado para ser um prédio sustentável – o mais “verde” possível.

O novo mosteiro é aquecido e iluminado com a energia gerada pelos painéis solares, o telhado é coberto de grama e conta com um sistema de esgoto mais ecológico. Todo o material de construção veio das redondezas, diminuindo o transporte e uso de combustível. A grama utilizada para cobertura do telhado garante a isolação térmica do prédio e faz com que a temperatura interna seja sempre agradável, além de diminuir a emissão de dióxido de carbono.

A água da chuva é coletada por um sistema que dirige o fluxo para os banheiros. E os dejetos passam por uma filtragem antes de voltar à natureza. Nesse processo são usadas algas que crescem no local e fazem a digestão anaeróbica.

O projeto pertence ao arquiteto Gill Smith, do Estúdio Feilden Clegg Bradley, vencedor de um dos maiores prêmios de arquitetura verde no ano passado. “As freiras tem sido incríveis porque elas se mantêm fiéis a seus princípios, ao contrário de alguns clientes que com o tempo deixam de seguir o manual verde”, disse em entrevista ao The Guardian.

Segundo a abadessa Andrea Savage, o antigo mosteiro era tradicional, mas o custo para mantê-lo era muito alto. Entre outras coisas, o aquecimento durante os meses frios do ano era feito com óleo e gás, um processo “que não é bom para o meio ambiente”, explicou a freira.

Além dos recursos ecológicos, todos os dormitórios do mosteiro contam com internet de banda larga, além de uma biblioteca, uma igreja e uma série de pequenos anexos. O novo prédio tem ainda espaço para acomodar até 15 visitantes.

“O novo prédio representa o universo das freiras. Elas vivem ali 24 horas de suas vidas. Você tem que oferecer tudo o que elas precisam, criando uma série de pequenos mundos ali dentro”, disse o arquiteto.