Sabe-se que a maioria dos armênios que vivem em terras brasileiras são descendentes dos que fugiram para cá durante  genocídio praticado pelos turcos. 

Dentre as heranças que herdamos de nossos irmãos armênios, há a vasta e fantástica culinária e a belíssima Catedral Apostólica Armênia de São Paulo – São Jorge.

Detalhe do teto do altar: treze castiçais têm em seus interiores uma luz vermelha, que indicam que no local está o corpo de cristo.

Localizada na avenida Santos Dumont, essa igreja apostólica ortodoxa funciona como ponto de encontro para cerca de 75% dos descendentes. Ali a missa é tão tradicional que quem não fala o idioma armênio, precisa recorrer à tradução de um folhetim. Ou fica sem entender o sermão do arcebispo Datev Karibian, que comanda o evento dominical.

Datev acompanhou de perto a conclusão da reforma conduzida pelo engenheiro Nelson Nersessian. O que era para durar seis meses acabou se estendendo por dois anos, mas conseguiu deixar mais iluminada e bonita a catedral construída entre 1945 e 1948. Todas as igrejas armênias seguem um padrão: são revestidas de pedra, com cúpulas octogonais e a imagem de Maria com menino Jesus no altar. Há um colorido intenso (e um pouco exagerado) nos afrescos, arabescos, pórticos e vigas. Os vitrais foram criados pelos mesmos artistas que fizeram os do Mercado Municipal de São Paulo. Magnífico!

O colorido dos afrescos e os lustres de cristal chamam a atenção. Ao lado do altar, estão as imagens de São Judas Tadeu e São Bartolomeu, que levaram o cristianismo à Armênia. No centro do altar, a imagem de Maria segurando o menino Jesus, comum em igrejas armênias.

Nelson, o engenheiro que foi batizado e casou na catedral, mostra o resultado de seu trabalho. “Foi uma reforma geral”, diz. Revestiram as duas cúpulas de cobre, repintaram os painéis, restauraram as imagens religiosas, reforçaram a iluminação dos vitrais (que agora podem ser admirados durante a noite por quem estiver no interior da igreja), suavizaram o excesso de cores pitando de bege as vigas, entre outras mudanças.

“Não esperava tudo isso”, diz o arcebispo Datev. “A igreja ficou ainda mais bonita.” Há ainda uma escola nos fundos da igreja. Ali as crianças brincam no pátio. Era hora do recreio. Muitos armênios ainda crianças fizeram parte do primário naquela escola, o Externato José Bonifácio. Além das matérias obrigatórias, os professores ensinam a língua armênia.

As vigas, antes coloridas, foram pintadas de bege para valorizar os afrescos e arabescos.

Quem entra neste ambiente, sai com vontade de conhecer um pouco mais da cultura desse povo que também faz parte da cultura paulistana.

Catedral Apostólica Armênia de São Paulo – São Jorge: Avenida Santos Dumont, 55, Centro, tel. 3326-0758. Seg. a sex., 8h/16h; dom., 8h/13h, com missa às 10h.