Local, que pertence ao Mosteiro dos monges beneditinos, conta com mais de 22 mil livros; acervo, por enquanto, está disponível apenas para os moradores do mosteiro

Régis Martins – Jornal da Cidade

Rodrigo Gonçalves se dedica aos livros da igreja Santo Antônio - Foto: F.L.Piton / A Cidade

Filmes como “O Nome da Rosa“, baseado na obra do escritor italiano Umberto Eco, nos dão a ideia de que bibliotecas de mosteiros católicos são verdadeiros labirintos medievais. E num clima insalubre e sombrio, jazem em quartos secretos livros considerados proibidos pela Santa Sé.

Mas a reportagem do A Cidade teve acesso pela primeira vez à biblioteca da igreja Santo Antônio, uma das mais tradicionais de Ribeirão Preto e comprovou justamente o contrário.

Numa ampla sala iluminada e muito bem arejada do mosteiro, que fica ao lado da igreja, mais de 22 mil livros estão devidamente enfileirados em prateleiras de ferro, organizados por temas diversos.

Tem de tudo para todos os gostos literários. Desde obras sobre as sagradas escrituras, espiritualidade, leis que regem a Igreja e vida monástica, passando pelos primeiros teólogos do catolicismo, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, até chegar a autores socialistas ou mesmo ateus convictos, como Friederich Nietzsche, Lenin e Karl Marx. “Hoje, a Igreja reconhece os pontos positivos de autores como Marx”, diz Rodrigo da Silva Gonçalves, estudante de Filosofia que assumiu a função de bibliotecário.

Aos 31 anos, Rodrigo é um dos dez moradores do mosteiro que pertence a Congregação dos Monges Beneditinos Olivetanos. É um “postulante a padre”, que tem a leitura como paixão. “Na verdade, os beneditinos são uma ordem do século 6º que sempre se interessou pelos estudos humanísticos”, afirma.

O bibliotecário Rodrigo da Silva Gonçalves conta que os primeiros livros do mosteiro da igreja Santo Antônio de Pádua chegaram com os monges beneditinos no início do século 20. Até 1996, o acervo ficava no Morro do São Bento, onde foi instalado o primeiro mosteiro. Com a mudança, as obras foram levadas para os Campos Elíseos.

Rodrigo conta que um dos padres que mais incentivou a ampliação e organização da biblioteca foi Dom Fortunato, monge e psicólogo já falecido.

“Ele lia muito e tinha como maior sonho tornar a biblioteca do mosteiro pública, aberta à comunidade”, ressalta.

Por enquanto, o acervo está disponível apenas aos moradores do mosteiro.