Padroeiro dos Escultores

Dados biográficos sobre a vida do Beato Cláudio Granzotto, padroeiro dos escultores.

Nascimento

Hoje é festa na casa Granzotto; É o dia 23 de agosto de 1900. Nasceu o sétimo filho, Ricardo. Também nós o chamaremos de Ricardo, até o dia em que o encontrarmos prostrado diante de um altar para ouvir as palavras: “Não te chamarás mais Ricardo, mas frei Cláudio.

O pai morre aos 10 anos de idade

Ricardo tem 10 anos, idade suficiente para compreender o infortúnio que lhe aconteceu.

Trabalhador: Escultor, Sapateiro, Marceneiro, Exército, Escola de arte

Ricardo tem onze anos. Na mente o ideal de pintar, esculpir, pensar. Ricardo foi recebido na sapataria de Ernesto. Rápido e quase perfeitamente aprende a profissão. Aos 12 anos torna-se aprendiz de marceneiro. Ricardo, trabalhador a serviço do exército é destacado para o serviço paramilitar da engenharia.

Conegliano é uma cidade rica, nela existe uma escola de arte. Ricardo inscreve-se em 1921.

São Francisco o inspira: decisão de ser frade e perseguições

Estava lendo algo sobre São Francisco. Ele costumava dormir sobre uma pedra. Certamente não poderei ser como São Francisco.

Na mente de Ricardo apresenta-se uma decisão: vou ser frade. A decisão foi tomada e já aparece uma montanha de obstáculos. As estátuas recebidas com favor pela crítica e pelas pessoas, os numerosos projetos em via de execução, os amigos sinceramente afeiçoados, os parentes que o amam, todos expressam desilusão e incredubilidade. Decididamente todos o desaconselham e o convidam, ao menos,  a esperar até que a crise tenha passado. – Você está louco – diz-lhe um amigo. – Quer sepultar-se num convento, agora que vê abrir-se um brilhante futuro? O que está acontecendo, pensa Ricardo… Mas Cristo está em toda parte. Não é necessário fugir do mundo para encontrá-lo – insistem os amigos.

Continuam as perseguições para sair da vocação

Ricardo, você tem trinta e dois anos completos e não passa de um incorrigível sonhador. Está na hora de cair na realidade. Você abriu o caminho da arte, está vencendo, um futuro invejável o espera. Falta-lhe apenas um matrimônio feliz.

Recusa de trabalho

Espero – acrescenta o arquiteto – que você dê o passo sem pressa. Enquanto isso, gostaria de confiar-lhe a execução de três conjuntos de mármore para o palácio de Bucarest. É uma ocasião de noventa mil liras. – Professor, agradeço-lhe a oferta, mas não posso mais aceitar o trabalho para o rei da Romênia, já que me decidi trabalhar imediatamente para outro Rei que não é deste mundo.

Entrada na Ordem dos Frades Menores

O Frei Camilo Nervo o recebe na Ordem dos Frades Menores a 7 de dezembro de 1933. No convento não encontrarás só espinhos. Há muitas flores que espalham alegria. 8 de dezembro de 1936 – profissão dos votos religiosos.

Mansidão que muda o próximo

Frei Riggero confessa: Se a providência não tivesse colocado frei Cláudio em meu caminho, não faria parte desta… Foi ele que amansou o leão. Sou uma Conquista dele.

Otimismo – perfeita alegria

-Isto é demais -diz-lhe frei Clemente com embaraço – Durante o dia somos consumidos pela fadiga e queimados pelo sol. À noite, os pernilongos nos assaltam a ferroadas. Existirá alguma penitência a acrescentar? Frei Cláudio responde com doçura: Frei Clemente, acrescente também: nisto consiste a perfeita alegria.

Zelo com a casa de Deus – Não conversava na Igreja

O pequeno grupo dos coroinhas, após terminar o serviço litúrgico, descobrem mil motivos para se divertir e fazer barulho. Frei Cláudio passa por ali e diz, com um sorriso: Talvez vocês gostem de tagarelar, mas aqui não é bem lugar para isso.

Caridade: distribuição de pães

Quanto mais aumenta a distribuição de pão e de outros bens, mais numerosa se faz a fila de pedintes.

Choveram denuncias à autoridade judicial por infração à leis especiais em assuntos de inscrição. No convento nasce um pouco de pânico e se decide suspender a distribuição de sopa.

O superior vítima de uma terrível nevralgia, manifesta ao servo de Deus seu sofrimento;

-Suspenda a proibição de distribuir pão aos pobres – sugere Frei Cláudio – e talvez Deus lhe suspenderá a dor de dentes. No mesmo instante a dor desaparece.

Em 1943, um destacamento militar alemão está acampado na praça da igreja de Pieve. Cláudio distribui pão aos pobres, que chegam em número à porta do convento. Alguns militares alemães se unem a eles, estendendo a mão como os outros famintos. O religiosos oferece a todos o pão e um belo sorriso. O seminarista Diuseppe, que está ajudando Frei Claudio protesta: Este pão é italiano e não me parece justo ser dado aos alemães; – Este é o pão da Providência, não tem pátria, foi feito para saciar a fome de todos.

De vez em quando apresenta-se um ex-padre que, tendo abandonado o ministério, reduziu-se à miséria e chega a porta do convento para pedir pão para si e para os filhos. Todos conhecem sua triste história. Às vezes alguns ousam tecer malévolos comentários. Frei Cláudio intervém com firmeza: -A pessoa que sofre é sagrada. Ai de quem a toca, porque Deus vem em sua defesa.

Êxtase

Giuseppe Erle, também seminarista… uma noite vai até a igreja, observa o homem de Deus em oração com surpresa o vê erguido do chão…

Sabedoria

Jesus era, certamente, um mestre de Teologia; no entanto, preferiu bater pregos até os trinta anos. Depois disse: “Aprendei de mim, que sou humilde de coração”. Isso significa que a humildade pode ser escola de Teologia e também de contemplação.

Quantos livros é preciso ler para descobrir o segredo da oração? Frei Cláudio responde sem hesitar:-Um só: o Crucificado. Contemplar o Crucificado, tê-lo no coração, eis a oração. Na eucaristia está a fonte da verdadeira paz. Quanta alegria dariam a Jesus os sacerdotes, os religiosos, os fiéis se ficassem com freqüência em adoração diante do tabernáculo? Que felicidade teriam. Que poder divino tem os homens: amar a Deus!

Sonho

-Tive um sonho. Estava numa igreja imensa. Ao lado do altar, jazia Jesus, coberto de feridas, morrendo. Corri para ajudá-lo, para cuidar de suas chagas. Não conseguia estancar o sangue. Uma multidão barulhenta, de todas as idades e de todas as camadas sociais, passava apressada à minha frente, sem nem olhar para o pobre agonizante. Experimentei parar alguém implorar ajuda. Quem fazia mais lançava um olhar fugaz, passando além. Um ou outro parava por um instante e, depois, era reabsorvido pelo rio humano.Via-me incapaz de socorrer Jesus. Fui tomado de uma angústia indizível e me faltavam as forças. Parecia-me morrer com ele.

Santidade

A rígida pobreza e a áspera penitência praticadas por frei Cláudio fazem que os outros o julguem um frade de outros tempos.

Doença e Morte

Em Viscenza, os médicos diagnosticaram: esgotamento orgânico geral. O último olhar que frei Claúdio dirige ao mundo antes de entrar em coma, é para ver que ao redor dele não há ninguém. Em 1941 ao despontar do dia 15 de agosto, festa da Assunção, Nossa Senhora veio buscar de madrugada essa alma eleita para acompanhá-la ao grande encontro com Jesus na eternidade.

Fonte: Pe. Redento Fusato. Beato Claudio Granzotto – Um artista franciscano do século XX. Editora Palavra e Prece.2009.

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