Hermine Speier, arqueologa de origem hebraica, foi a primeira mulher chamada a trabalhar com um Papa

Um artigo do jornal vaticano honra o trabalho que uma mulher judia de nacionalidade alemã realizou antes da Segunda Guerra Mundial, construindo o arquivo de fotos dos Museus Vaticanos.

O autor, Paolo Vian, baseia-se no “brilhante e bem documentado artigo de Il Foglio de 16 de abril”, escrito por Paolo Rodari.

O jornal conta um fragmento da história de Hermine Speier (1898-1989), que estudou arqueologia sob a orientação de Ludwig Curtius na Universidade de Heidelberg.

Ela começou a trabalhar no Vaticano em 1934 a pedido de Pio XI e “reorganizou os arquivos fotográficos dos nossos museus. Foi Curtius quem a recomendou ao diretor geral dos Museus Vaticanos, Bartolomeo Nogara”.

Speier foi morar com as religiosas das Catacumbas de Santa Priscila, na Via Salária, “em outubro de 1943, quando a ferocidade nazista arremeteu contra a comunidade judaica de Roma”. Foi um acordo intermediado pelo sobrinho do Mestre Pontifício de Cerimônias.

“O esconderijo era muito seguro: se a casa fosse tomada, Speier e os outros ‘evadidos’ poderiam fugir por um túnel secreto próximo às catacumbas, como os cristãos perseguidos muitos séculos antes”, informa o jornal.

Depois da guerra, Speier se converteu ao catolicismo e sua família cortou laços com ela.

Vian destaca que a história “pode ser lida de diversas maneiras e de perspectivas diferentes: como uma página da história dos intelectuais judeus emigrados da Alemanha, como um passo importante na afirmação da presença feminina no Vaticano, ou como um importante momento no trabalho da Santa Sé nos anos 30 e 40 para ajudar uma minoria perseguida”.

“Mas é também a história de uma arqueóloga que se revela uma parábola rica de significado”, destaca. “Uma judia alemã, estudante dos clássicos, que acha refúgio no Vaticano durante as noites mais negras da barbárie do século XX, e que descobre à sombra de Pedro um lugar para se refugiar e do qual testemunhar o humanismo, maior herança do ‘mais autêntico espírito alemão’. Este encontro entre o humanismo alemão, o judaísmo e o cristianismo é único para refletir e meditar”.

Fonte: ZENIT