Anglicanos e Luteranos retornam à Igreja Católica

Papa Bento XVI e o chefe da Igreja Anglicana Rowan Williams, arcebispo de Canterbury

Em todo o mundo anglicanos manifestaram o desejo de voltar à Igreja Católica. Muitos deles estão insatisfeitos com a aceitação da aprovação da ordenação de mulheres e a aceitação de um bispo homossexual, entre outras coisas.

 
A Igreja Anglicana, também chamada de Episcopal nos EUA, foi separada da Igreja Católica em 1534 pelo rei Henrique VIII, que era católico, mas que ficou ofendido porque o Papa não aceitou a nulidade do seu casamento com Catarina de Aragão para poder se casar com Ana Bolena.
 
“A iniciativa veio de um número de grupos diferentes de anglicanos. Declararam que compartilham a fé católica como é expressada no Catecismo da Igreja Católica e aceitam o ministério de Pedro como um legado de Cristo para a Igreja. Para eles, o tempo veio expressar esta unidade implícita na forma visível de comunhão plena”, declarou Cardeal Levada, Prefeito da Congregação da Fé do Vaticano.
 
Em novembro de 2009, o Papa Bento XVI publicou a Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, na que estabelece o modo no qual os anglicanos que assim o desejem possam ingressar na comunhão plena da Igreja Católica. Em 20/10/2009, a Santa Sé publicou, uma nota informativa da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os decretos pessoais para os anglicanos que desejam entrar em comunhão com a Igreja Católica.
 
Após a publicação da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, muitos grupos anglicanos pediram à Congregação para a Doutrina da Fé para serem transformados em ordinariatos pessoais:
 
No dia 3 de Março de 2010, em Orlando, Flórida, os oito membros da Câmara dos Bispos da Igreja Anglicana nos Estados Unidos (um ramo da Comunhão Anglicana Tradicional) votaram por unanimidade para se tornarem parte da Igreja Católica, juntamente com 3000 fiéis em 120 paróquias de quatro dioceses norte-americanas. Na sequência da votação, estes bispos anglicanos e as paróquias de Uso Anglicano enviaram uma petição conjunta à Congregação para a Doutrina da Fé, solicitando a criação de um ordinariato pessoal nos Estados Unidos da América. Nesta petição, eles fizeram algumas sugestões sobre como isso pode ser feito.
 
No dia 12 de Março de 2010, a Igreja Católica Anglicana do Canadá (um outro ramo da Comunhão Anglicana Tradicional) solicitou formalmente a instituição de um ordinariato pessoal no Canadá.
 
A Igreja Anglicana Católica na Austrália (uma província eclesiástica da Comunhão Anglicana Tradicional), juntamente com a Forward in Faith na Austrália (um movimento que reúne anglo-católicos que estão na Comunhão Anglicana), solicitaram em conjunto a criação de um ordinariato pessoal na Austrália.
 
A Igreja do Estreito de Torres, outra província eclesiástica da Comunhão Anglicana Tradicional na Austrália que cobre o Queensland Setentrional e o Estreito de Torres, também pediu para ser um ordinariato pessoal separado.
A Igreja Anglicana Tradicional (a província eclesiástica da Comunhão Anglicana Tradicional que cobre a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales), também pediu para ser um ordinariato pessoal.
 
Em 15 de janeiro deste ano o Vaticano publicou o decreto que marcou o arranque oficial da estrutura criada para acolher os anglicanos da Inglaterra e do País de Gales que queiram aderir à Igreja Católica.
 
O Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, tem como responsável Keith Newton, um dos ex-bispos anglicanos que foi ordenado sacerdote católico pelo Arcebispo de Westminster. Ainda segundo o documento, o patrono do Ordinariato será o Beato Henry Newman, o ex-padre anglicano que se converteu a Roma e chegou a Cardeal no século XIX e que foi beatificado por Bento XVI durante a sua visita ao Reino Unido em Setembro do ano passado.
 
Keith Newton foi ordenado na manhã de 15/01 numa cerimônia na Catedral de Westminster, em Londres, juntamente com outros dois ex-bispos anglicanos, Andrew Burnham e John Broadhurst.
 
A Constituição Apostólica fornece um enquadramento jurídico dentro do qual as comunidades religiosas anglicanas podem aderir à Igreja Católica como um grupo próprio: os “Institutos de Vida Consagrada provenientes do Anglicanismo e agora em plena comunhão com a Igreja Católica por mútuo consentimento podem ser submetidos à jurisdição do Ordinário”.
 
Devido à bula papal Apostolicae Curae (1896), a Igreja Católica, como não reconhece a validade das ordenações na Comunhão Anglicana, requer que os clérigos anglicanos, casados ou solteiros, que desejam servir como sacerdotes na Igreja Católica, se ordenem outra vez sacerdote na Igreja Católica: “todos aqueles que exerceram o ministério de diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos […] podem ser aceitos pelo Ordinariato como candidatos às Ordens Sagradas na Igreja Católica”.
 
Tendo também “em consideração a tradição e experiência eclesial anglicana”, e com base nas “necessidades do Ordinariato” e em critérios objectivos estabelecidos pelo Ordinário em consulta com as conferências episcopais e aprovados pela Santa Sé, o Ordinário pode também “dirigir petição ao Romano Pontífice, em derrogação ao cân. 277, 1, de admitir caso por caso à Ordem Sagrada do presbiterado também homens casados”. Mas, a regra geral é que o ordinariato admita apenas homens celibatários, por causa da “disciplina sobre o celibato clerical na Igreja Latina”.
 
Nenhum homem casado pode ser ordenado bispo, mas esta regra da tradição católica indica que um Ordinariato correspondente a uma ex-diocese anglicana poderia continuar a ser liderada pelo mesmo ex-bispo anglicano casado, mas não como um bispo católico, mas sim apenas como um presbítero (ou padre). Como líder do novo ordinariato, ele é um membro pleno da Conferência Episcopal, independentemente do grau da Ordem à qual ele é ordenado.
 
Qualquer ex-bispo anglicano “que pertence ao Ordinariato pode ser convidado para participar nos encontros da Conferência dos Bispos do respectivo território, do mesmo modo que um bispo-emérito”.
 
Na Quarta-feira de Cinzas, 9/3, 600 fiéis anglicanos acompanhados de 20 pastores iniciaram, seu caminho rumo de volta à Igreja Católica.
 
Este grupo se une aos cinco ex-bispos anglicanos que já fazem parte do ordinariato.
 
Um dos 20 sacerdotes que fazem parte do grupo é David Lashbrook, que em seu sermão de despedida na St. Marychurch, em Torquay, no sudeste da Inglaterra, assinalou que o sínodo geral anglicano “está buscando fazer que a igreja se conforme à cultura em vez de ser fiel à nova vida em Jesus Cristo”.
 
Por sua parte, Mary Huntington, do escritório de imprensa da diocese católica de Brentwood na área leste de Londres, assinalou que 241 adultos e crianças, incluindo sete sacerdotes, ingressarão na plena comunhão ali. Do mesmo modo, Simon Chinery, um sacerdote anglicano encarregado de duas igrejas em Plymouth, comentou que experimenta “uma sensação de paz, uma sensação de emoção e um pouco de nervosismo” enquanto se prepara para entrar na Igreja Católica.
 
Em sua opinião, o Papa Bento XVI tem facilitado o processo para que os anglicanos que assim desejam, entrem em comunhão com a Igreja Católica. Chinery disse ainda que, antes, a porta “estava aberta pela metade” mas agora está “de par em par e nos puseram um tapete de boas-vindas”.
 
Estes anglicanos não receberam a comunhão até o dia da sua Confirmação, pouco antes da Páscoa. Já os sacerdotes anglicanos serão ordenados sacerdotes católicos na festa de Pentecostes e logo depois de completar a formação teológica apropriada.
 
Também os pioneiros da igreja protestante, os luteranos querem voltar a se unir a Igreja Católica:
 
Há um Senhor, uma fé, um batismo”. “Nossa comunhão, portanto, é fortalecida por tal diversidade legítima. Assim, estamos felizes por estes homens e mulheres trazerem suas contribuições particulares à nossa vida comum de fé”, conclui D. Levada. (Professor Felipe Aquino)