Organizada em 14 volumes temáticos, a coleção ‘A pintura’, dirigida por Jacqueline Lichtenstein, professora de Estética e Filosofia da Universidade de Paris X, tem o intuito de mostrar como se estruturaram os discursos sobre a arte no Ocidente, desde a Antiguidade até os dias de hoje. Com textos de cerca de 130 autores do século IV a.C. até o século XX, esta coleção reuniu alguns dos mais importantes artistas, críticos, filósofos, poetas, teólogos e historiadores para iluminar aspectos fundamentais da arte da pintura.

1 – “O mito da pintura”, primeiro volume da série, reúne textos de Filóstrato, Plínio o Velho, Pietro Aretino, Alberti, Leonardo da Vinci, Molière, Diderot, Baudelaire, Klee, Pierre Restany e outros, para investigar a dimensão mítica atribuída aos artistas, revelando como, à falta de uma origem divina para a atividade pictórica, esta teve de se contentar, por muito tempo, com as biografias lendárias de Apeles, Zêuxis, Giotto e, mais recentemente, de Delacroix, Cézanne, Picasso, Yves Klein e outros;

2 – Se não se pode, a rigor, falar de uma Estética medieval ou de uma Teoria da Arte na Idade Média, pode-se entretanto discernir, nas categorias metafísicas e teológicas da época, suas concepções sobre a beleza, a luz, a opacidade dos corpos e a visibilidade do mundo. Neste segundo volume da coleção, fragmentos escolhidos de Pseudo-Dionísio Areopagita, João Damasceno, são Boaventura, são Tomás de Aquino, Calvino e outros autores dão acesso ao que poderíamos chamar de uma história medieval da visão. No cerne dessa história encontram-se as relações entre arte e teologia e as acirradas discussões envolvendo o culto às imagens sagradas, a reprodutibilidade dos modelos, a interpretação anagógica e toda a riquíssima escala de simboliosmos medievais que só se torna inteligível quando compreendida como um sistema;

3 – Este volume traz escritos de Dürer, Lomazzo, Zuccaro, Poussin, Bellori, Du Bos e outros, que em registros diversos investigam como, do século XV ao século XVIII, os artistas e autores que se dedicaram ao processo da criação pictórica recorreram à noção de idéia como fio condutor;

4 – O volume traz uma série de textos – Cícero, Plotino passando por Castiglione, Féliben, Lessing, entre outros – que oferecem, uma visão panorâmica das diferentes concepções do belo, desde sua origem, com a filosofia platônica, até os precursores da Modernidade;

5 – Depreciado por Platão, reabilitado por Aristóteles, o conceito de mimeses, ou imitação, desempenha um papel central no desenvolvimento da arte ocidental. Este volume acompanha as várias transformações do conceito, da Antiguidade até o século XX, passando por suas encruzilhadas mais importantes – a Idade Média, quando sofre uma inflexão significativa, com a distinção entre natura e natura naturata; o Renascimento, cujo neoplatonismo permite a um artista como Leonardo explorar empírica e matematicamente a natureza sem romper com o princípio da imitação; e, finalmente, o Romantismo e a Modernidade que, recusando as antigas concepções, percebem a mimesis como um desvio da força criadora do artista, lançam mão de conceitos oriundos de várias disciplinas, tornando a apreciação da obra de arte uma operação de instigante complexidade;

6 – Como representar o corpo humano? Mais do que isso – como representar as paixões que o afetam? Quais os cânones que, ao longo da história, pautaram sua interpretação na arte ocidental? Este sexto volume da coleção A pintura traz uma ampla exposição de várias abordagens da figura na arte – o sistema de medidas ideais do corpo, elaborado pelo arquiteto Vitrúvio no século I a.C. e recuperado ao final da Idade Média, o riquíssimo conhecimento da expressão das paixões em Rafael, Leonardo, Rubens, Poussin, Le Brun, Ingres e Matisse, ou o expressionismo abstrato de Willem de Kooning, que reinsere a figura num espaço pictórico já transformado pelas vanguardas do século XX;

7 – Partindo do Tratado da pintura de Leonardo, passando por Vasari, Poussin, Lessing e outros, este volume apresenta os múltiplos enfoques que a comparação da pintura com a escultura e a poesia – marcada pela doutrina do Ut pictura poesis – pôde assumir, do Renascimento até a Modernidade;

8 – O que significa interpretar uma obra de arte? Este novo volume da coleção ‘A pintura’ privilegia o estudo da alegoria e da iconologia, em que o trabalho de interpretação exige o cruzamento constante de formas visuais e redes de referência textuais. Destaque para a obra de Erwin Panofsky, aqui representada por duas peças magistrais, uma delas inédita em nossa língua;

9 – Este volume traça um quadro amplo do conflito entre a cor e o desenho na pintura. A discussão se inicia com a defesa do desenho por Giorgio Vasari, toma corpo nos debates da Academia Real de Pintura e Escultura da França nos séculos XVII e XVIII, ganha uma nova inflexão com os argumentos de Roger de Piles (que abre as portas para um entendimento moderno da cor), até desembocar nas tendências predominantemente coloristas dos séculos XIX e XX, as quais vão encontrar, na obra de Matisse e nos ensaios de Clement Greenberg, duas de suas mais altas afirmações;

10 – Este volume traça um panorama das idéias desenvolvidas em torno dos gêneros pictóricos (pintura histórica, religiosa, retrato, natureza-morta, paisagem etc.) desde o século XV, quando se estrutura essa tipologia, até o final do século XIX. Reunindo textos de Alberti, Leonardo, Bellori, Du Bos, Diderot, Hegel, Baudelaire e outros autores, a questão é abordada sob dois ângulos – seja discutindo a legitimidade dessa especialização e eventualmente propondo hierarquias entre os gêneros; seja investigando a constituição de cada gênero em si;

11 – As escolas e o problema do estilo;

12 – O artista, a formação e a questão social;

13 – O ateliê do pintor;

14 – Vanguardas e rupturas.

A coleção “A Pintura” é editada pela Editora 34, com direção geral de Jacqueline Lichtenstein.