Em 2006 o MASP recebeu a exposição “As bailarinas” de Degas, ano em que o museu abriu uma sala especial para as 73 bailarinas em bronze (do acervo do próprio MASP) produzidas pelo artista. Foi algo extraordinário. Uma exposição com tal magnitude deveria ser aproveitada, visitada. O mais interessante é que a propaganda publicitária do evento fazia alusão a passos de ballet. Foi encantador ver o museu lotado e perceber alguns passos de ballet de espectadores diante da obra do grande mestre.  

Edgar Degas (1834-1917) foi um pintor e escultor impressionista francês. Mas Degas possuia uma diferença dos demais impressionistas. Estes procuravam inspiração na paisagem e buscavam retratá-la. Degas jamais se sentiu seduzido por ela e procurou reproduzir algo que melhor lhe chamava a atenção. A busca de representar o movimento, a luz e o enquadramento o alimentava, o fascinava. É desta busca que surgem as famosas bailarinas de Degas. Trabalhando sempre em estúdio, tinha na dança o movimento que buscava. Há algo mais gracioso que uma bela jovem dançando ballet? Encanto, sonho, luz e extase. Era isso! Este extase faz lembrar o jovem Billy Elliot quando indagado sobre o que pensava quando estava a dançar. “É como se ninguém estivesse me vendo. É como um instante sozinho no mundo. Sinto meu corpo queimar. É como uma eletricidade. Me sinto bem. Me sinto livre. Então, danço.”

Degas revelava uma sinergia ao expressar a dança na pintura, tendo, obviamente a música que  envolve qualquer bailarina ao movimento esperado. Há aqui uma inesgotável paixão pela dança que Degas vivia interiormente. Essa paixão fora traduzida em quadros e esculturas que encantam o mundo inteiro. Assim como Nijinski, Anna Pavlova e Baryshnikov  a embalar as melodias de Tchaikovsky, Strauss ou Debussy, vale vestir as sapatilhas, ou mesmo sem elas e ficar na ponta dos pés… Impossível não dançar.

Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB