“As Dores”

“E uma espada de dor traspassará teu coração”

Nossa Senhora das Dores - Andrea Costakazawa

 

Conta-se que num Mosteiro da Alemanha, no ano de 1221 teve início um culto peculiar à Virgem dolorosa. Aos poucos tal culto foi se propagando por toda Europa. Em Florença, Itália, em 1239 os Frades Servitas passaram a cultuar, no dia 15 de Setembro, a Virgem Maria pelo título de Mater Dolorosa. Com base bíblica, tal título remonta às sete dores sofridas pela mãe do Messias:

  1. Profecia de Simeão no Templo (Lc, 2, 34-35);
  2. Fuga para o Egito (Mt, 2, 13-21);
  3. Perda do Menino Jesus durante três dias em Jerusalém (Lc, 2, 41-51);
  4. O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lc, 23, 27-31);
  5. Maria aos pés da Cruz no Monte Calvário (Jo, 19, 25-27);
  6. Maria tendo o corpo do filho em seus braços (Mt, 27, 55-61);
  7. Sepultamento de seu filho no Santo Sepulcro (Lc, 23, 55-56).

Tais dores são representadas artisticamente por sete espadas no coração da Virgem. Muitas vezes é representada apenas com uma espada ao coração, como na profecia de Simeão: “E uma espada de dor traspassará teu coração”. Alguns teólogos mencionam, pelo fato desta passagem, a participação de Maria na redenção da humanidade. Dai surgiu o famoso hino medieval “Stabat Mater”.

Os títulos referentes às dores de Maria variam conforme a localidade: Nossa Senhora da Piedade, Soledade, do Calvário, do Sofrimento, do divino pranto, das lágrimas, da aflição, das sete dores…

No Brasil é muito comum o culto à Virgem das Dores. Essa herança ibérica, ganhou força na época da contra-reforma e pelo estabelecimento da arte barroca. No período da Quaresma, os devotos se vestem de roxo para reverenciar à Mãe do sofrimento. Caminham em procissão, carregando a imagem da virgem que se encontrará com a de seu filho, o Senhor dos Passos. A comoção se faz presente.

Na Sexta-feira da Paixão do Senhor, a Virgem está com o corpo de seu filho aos braços. Tal representação, eternizada por Michelangelo é fonte de piedade, de amor e de entrega, pois é a Mãe do redentor.

A expressão de dor de Maria faz parte da cultura do povo brasileiro, que se identifica de tal modo com o sofrimento da Virgem, recorrendo sempre que pode à esta que escuta e atende as preces de seus filhinhos.

O Mosteiro de São Bento, com o apoio do Museu de Arte Sacra de São Paulo apresenta esta exposição: “As Dores”, com peças de grandes nomes da arte como Aleijadinho e Mestre Piranga, que ficará aberta durante os 40 dias da Quaresma, como fonte de meditação, penitência e preparação para a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Juntamente com as Nossas Senhoras das Dores, preparamos uma Via-Sacra com esculturas da Artísta Plástica contemporânea Andrea Costakazawa.

Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB

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