Nossos amigos do site São Paulo Antiga dedicaram uma matéria especial sobre a famosa Casa da Dona Marieta Teixeira de Carvalho. Este importante patrimônio histórico da cidade de São Paulo, pertence ao Mosteiro de São Bento e encontra-se em fase de restauração. No futuro, o imóvel abrigará o Centro Cultural do Mosteiro de São Bento à Rua Florêncio de Abreu, no Centro da capital.

Veja matéria na íntegra:

Por Douglas Nascimento – Site São Paulo Antiga (www.saopauloantiga.com.br)

Marieta Teixeira de Carvalho faleceu em 1975 aos 92 anos. Contudo, ela deixou para nós paulistanos um dos mais belos casarões da São Paulo Antiga, o palacete que herdou de seu pai o Coronel e Senador Carlos Teixeira de Carvalho. Construído em 1878*, o imóvel pertence ao Mosteiro de São Bento e está tombado pelo CONDEPHAAT desde 1981.

Este casarão, além de belo, é muito representativo para a história da cidade, já que trouxe uma evolução tecnólogica na construção de imóveis, sendo um dos primeiros casarões construído com tijolos em São Paulo. No final do século XIX, a construção chamava atenção pela beleza de suas linhas e pela robustez da edificação.

Em 1887, uma pacata rua Florêncio de Abreu. Note o casarão à direita

Quando seu pai o Senador Carlos Teixeira de Carvalho** faleceu, Marieta herdou o casarão e passou a tomar conta do imóvel e a viver nele. Sem filhos, à medida que foi envelhecendo passou a tomar algumas atitudes que visassem a preservação do casarão e da memória de seu pai, negociando primeiramente a venda de parte do quintal para o Mosteiro de São Bento e posteriormente entre os anos 1960 e 1970 vendeu-lhes também o casarão, residindo no imóvel até falecer em 1975.

Fechado por ocasião da morte de Marieta, o casarão não demorou muito a ser tombado, sendo incluído no livro de tombo do CONDEPHAAT já em 1981, o que ajudou a não levá-lo a um irrecuperável processo de degradação. Assim, sem muito recursos para restaurações e com projetos que surgiam e não eram levados adiante, o imóvel seguiu fechado por mais de duas décadas até o ano de 2005 quando através de uma lei de incentivo o casarão começou finalmente a ser restaurado com o patrocínio da Petrobras.

Em 1954, a rua Florêncio de Abreu já estava completamente diferente

A obra de restauro foi projetada por Affonso Risi Júnior e previa ser concluída em 2007, transformado o antigo casarão em um centro cultural ligado ao Mosteiro de São Bento. O espaço seria concebido para abrigar concertos, recitais e exposições.

Para reformar a senzala, de modo que o local pudesse receber exposições, foi necessário fazer escavações para que a circulação fosse agradável, uma vez que a mesma tinha cerca de um metro e meio de altura. O restauro do interior do casarão foi possível através do uso de fotografias, que permitiu aos restauradores uma visão do imóvel enquanto era ocupado pelos seus primeiros donos.

Entretanto, a obra ainda não foi concluída. Segundo foi possível apurar, o imóvel está em boa parte restaurado e não corre pelo menos por enquanto nenhum risco de degradação.

Os custos de recuperação acabaram sendo maiores do que a verba disponível e ainda há algumas obras a se fazer. O segundo piso ainda precisa ser recuperado e o exterior precisa de pintura e acabamento.

A dificuldade do Mosteiro de São Bento em angariar recursos para finalizar a obra é compreensível. Mas porque a Petrobras não libera mais uma verba para que este casarão seja completamente restaurado e assim ser possível entregar mais um pólo de cultura ao cidadão paulistano ? Quem perde não é só o Mosteiro, mas sim toda a sociedade.

Trata-se da última casa em taipa francesa que ainda existe na cidade de São Paulo.

* Apesar do casarão ser de 1878, a data na fachada do imóvel (veja foto 1 da galeria abaixo) apresenta o ano de 1884.

** Carlos Teixeira de Carvalho foi Senador do Congresso Legislativo do Estado de São Paulo por duas legislaturas (1891 e 1892 a 1894), sempre pelo PRP (Partido Republicano Paulista), tendo sido eleito na primeira vez com 25.508 votos e na segunda eleição com 12.353 votos.

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