ADOLESCÊNCIA ERUDITA

Pouca gente sabe, mas o poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989) deve parte de sua formação ao Mosteiro de São Bento, marco do centro paulistano. Atraído pela rica e erudita biblioteca – na época, já com 70 mil volumes, cerca de 30 mil a menos que a coleção atual – da instituição, o jovem Leminski começou a trocar cartas com os religiosos. Em 1958, mudou-se para São Paulo a fim de estudar no Colégio de São Bento, passando a viver na clausura beneditina.

Nos quase dois anos em que morou ali, estudou latim, grego, filosofia e cultura religiosa, conforme atesta a biografia Paulo Leminski: O Bandido Que Sabia Latim, escrita por Toninho Vaz. Durante toda a vida, o poeta seguiu se correspondendo com os monges de São Bento, compartilhando com eles a evolução de seus estudos. Em diversas entrevistas, ele fazia questão de repetir que sempre se consideraria um beneditino – não à toa, há referências à ordem religiosa em alguns de seus poemas, como em In Honore Ordinis Sancti Benedictie em Sacro Lavoro.

Edison Veiga – Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 15 de novembro de 2010

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