Na tentativa de garantir conforto espiritual às vítimas em Teresópolis, religiosos afirmam: “é hora de ter firmeza na fé”

Flávia Salme – Agência último segundo

Com a Igreja de Santo Antônio – uma das mais frequentadas em Teresópolis – permanetemente lotada, padre Jorge Luiz Pacheco não deixa de repetir aos fiéis: “temos que ter firmeza na fé e praticar a caridade”. A quem o procura em busca de respostas como “por que isso aconteceu com a gente”, ele responde: “Nós, católicos, acreditamos no pós-tragédia. Tudo o que pregamos é a vida eterna”.

Fiéis participam de missa em homenagem às vítimas de Teresópolis; padre Tiago José, que estava de férias, antecipou a volta ao trabalho para ajudar o padre Jorge Luiz – foto Hélio Motta

O trabalho das igrejas é contínuo. Além de coletar e distribuir alimentos, os fiéis atuam incansavelmente no apoio aos sobreviventes e às famílias das vítimas. As igrejas Batista e Metodista viraram abrigo improvisado para aqueles que perderam suas casas. A católica abriga 146 funcionários da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, da Defesa Civil e de outros órgãos públicos.

Garantir uma palavra que ajude a confortar a dor dos que perderam parentes, além de casas, é um trabalho difícil. “Tem horas que preciso fugir para o sacrário e conversar com Deus para recuperar as forças”, diz padre Jorge Luiz. “Os corpos estão em frigoríficos, nunca tinha visto isso”, espanta-se o religioso. “O único conforto possível é manter a força na fé”, ele prega.

Padre Jorge Luiz: “Temos que ter firmeza na fé”; para ajudar as vítimas, o religioso participa das cerimônias de enterro até de madrugada – foto Hélio Motta

Para garantir apoio às famílias, padre Jorge Luiz tem realizado cerimônias de sepultamento – sempre muito rápidas, em consequência do grande número de corpos a serem enterrados – até de madrugada. “Também percorremos os abrigos para oferecer uma bênção, um abraço e uma palavra de carinho e esperança”, ele diz.

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