by Andrea Costakazawa

Imaginemos a Avenida Paulista em plena sexta-feira às 18 horas. Buzinas, ronco de motores, conversas, risos, gritos, vendedores ambulantes, enfim…, um lugar que não conhece o silêncio! Porém, em meio a essa turbulência auditiva, quase abafada pelo barulho que as rodeia, ouvimos vozes que cantam: “glória a Deus, glória a Deus, glória a Jesus Salvador!”

Uma visão? Alucinação causada pelo calor escaldante? Ou talvez minha imaginação trabalhando um pouco demais!? NÃO!!! Aquele canto era real e provinha da boca e do coração de um grupo de idosos vestidos com túnicas verdes, situados num correto natalino montado para apresentações de final de ano em frente a um shopping no coração da paulicéia desvairada.

O verde de suas roupas transmitia a esperança que a melodia e a letra da música que eles cantavam anunciava a todos que por ali passavam e até “se davam ao luxo” de dar uma paradinha em sua correria para ouvir aquele belo canto.

Ora, já estamos nos aproximando cada vez mais do Natal e o Evangelho deste terceiro domingo do Advento, nos traz novamente a figura acética de João Batista; porém desta vez apresentado e caracterizado pelo Próprio Jesus.

“O que fostes ver no deserto?” (MT 11-7) Mediante este questionamento, Jesus dá seu testemunho acerca de João Batista, o maior dentre aqueles nascidos do ventre de uma mulher!

 Todos sabem que as grandes personalidades possuem comitivas que antecedem suas chegadas, para que as mesmas sejam bem preparadas e não ocorra nenhum contratempo ou imprevisto no decorrer de tais. Com Jesus não foi diferente; porém sua comitiva preparatória, era constituída por uma única pessoa, um mensageiro que não era apenas responsável por arrumar o ambiente e esconder as imperfeições, mas, o mesmo propunha uma mudança radical e verdadeira na vida daqueles que recepcionariam o Messias; e por causa desta verdade João se encontrava na prisão de Herodes.

Um homem que não aceitava o luxo nem a boa mesa e muito menos a hipocrisia daqueles que buscavam sua mensagem apenas com a intenção de “fiscalizar” sua missão. Ele era a voz que gritava no deserto e sua palavra queimava como um fogo a semelhança do Profeta Elias.

Assim como aquele coral que gritava a plenos pulmões na Avenida Paulista a glória daquele que está para chegar, João Batista propunha uma vida nova, permeada e fundamentada na conversão dos pecados em vista da pessoa e do Evangelho de Jesus.

João envia seus discípulos até Jesus para perguntarem se de fato ele era o Messias aguardado e anunciado nas margens do Jordão. A resposta de Jesus não se fundamenta em palavras e nem em longas explanações, mas apenas na descrição de suas obras. “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.” (Mt 11 4-5)

Um crescendo de maravilhas que encontra seu ápice na evangelização dos pobres, é a descrição enviada a João, por parte daquele que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

O principal prodígio de Jesus é a evangelização dos pobres, tanto materiais quanto os de espírito. Ambos recuperam sua dignidade que havia sido perdida; e encontram em Jesus o Deus verdadeiro, que veio visitar seu povo e o libertar (cf. Lc 1).

Que a meditação diária da Palavra de Deus nestes últimos dias do Advento, abra nossos corações para de fato acolhermos Jesus em nossa vida e não nos deixarmos levar pelo tumulto da multidão empolvorosa que tenta cada vez mais sufocar o verdadeiro sentido do Natal; ao contrário, abramos o nosso coração para ouvirmos o anúncio de Glória daquele que está vindo para nos libertar da escravidão do pecado, e assim alegres e cheios de esperança, cantemos em nossa vida e em nossas ações: “Glória a Deus, glória a Deus, glória a Jesus Salvador! Assim seja!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB      

Anúncios