Hoje a Salvação entrou nesta casa! 

Neste 31º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia nos propõe a meditação de um texto Evangélico tão conhecido por todos nós: Jesus e Zaqueu (Lc 19, 1-10).

Zaqueu, cujo nome significa homem justo, é imagem de toda humanidade que procurar “ver Jesus” e nele encontrar a Salvação e a liberdade tão desejadas.No meio de uma grande multidão que queria se aproximar, tocar, ou ao menos ver aquele visitante taumaturgo que se fazia presente em Jericó e acabava de curar o cego as portas da cidade, destaca-se uma figura de baixa estatura, que precisa recorrer ao auxílio de uma árvore para tentar ver aquele que passa,pois era afogada pela multidão polvorosa.

Olhares que se cruzam, vidas que se encontram, gestos e palavras que transformam; quem queria ver Jesus é por este encontrado, e o mesmo docemente se convida para fazer-se hóspede em sua casa: “Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5).

O amor de Deus abrange toda multidão, porém alguns necessitam mais da divina atenção dispensada aos pecadores que o procuram e querem vê-lo. Cada um de nós necessita desta visita de Jesus que faz a Salvação entrar e acontecer em nossa casa e em nossa vida.

O interesse de Zaqueu para com a pessoa de Jesus, mostra certa infelicidade com tudo aquilo que o mesmo possuía, e só o fato de vê-lo já lhe preenchia esse vazio interior que não se satisfazia pela abundancia de seus bens.

A conversão se dá mediante a abertura de nosso coração para a infinita misericórdia de Jesus que se auto convida para tornar-se hóspede da nossa alma: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém  ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele” (AP 3,19).

Sedentos estamos por Ele, porém nossa pequenez nos impede de o encontrar; a iniciativa de subir em uma árvore, desperta naquele homem uma curiosidade que comove a Jesus, o qual vê ali uma alma sedenta de seu amor.

O fato de Jesus tornar-se hóspede de um pecador, causa certa murmuração por parte da multidão que a tudo presenciava, pois, devido a sua profissão de chefe dos cobradores de impostos,Zaqueu era odiado por muitos: Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” (Lc 19,7; o mesmo porém não dá importância a isso e como vemos, acolhe Jesus com alegria!

O “pequeno” descobre que seus bens não lhe proporcionam a tão desejada felicidade e por isso está disponível a deles se desfazer para que os defraudados por seu egoísmo e ganância, sejam agora beneficiados pela graça do amor de Deus que atua em sua nova vida.

A casa de Zaqueu, não é outro lugar senão o nosso eu interior; somente lá o Cristo pode ser acolhido de verdade e nos revelar seu amor atuando em nossa alma; o nosso coração é o local onde Deus banqueteia conosco, e nos mostra no silencio de seu amor, que nossos pecados são amarras que nos escravizam e nos impedem de amá-lo em plenitude. Dar nossos bens equivale a nos desfazermos de nossos vícios e escravidões para vivenciarmos com total alegria a presença de Jesus que se faz hóspede de nossa casa.

O exemplo deste homem, nos mostra que embora sendo pecadores, jamais somos desprezados por Jesus, que nos ama infinitamente e por nós dá a sua vida para que por sua morte tenhamos a vida em plenitude. Que saibamos desfazer-nos de nós mesmos para sermos preenchidos pela Graça de Deus que é abundante e quer derramar-se sobre nós e nossas misérias, fazendo de nós Homens novos, restaurados pelo Espírito de Deus! Assim seja!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

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