Queridos amigos em Cristo,

Deus seja sempre louvado. Apresento-lhe dessa vez a narrativa de Jesus e Zaqueu ( Lc 19, 1- 10 ). 
 

O Caminho de Jesus da Judeia para a Galiléia não era apenas um caminho físico, mas, principalmente, um caminho de Misericórdia. Por isso, permitia paradas e desvios do itinerário físico, para mostrar que Deus quer estar o mais próximo possível dos homens a fim de exercer a Sua Misericórdia e despertar nos homens a Esperança da Salvação, isto é, a vida sem fim junto a Deus para sempre por parte de cada homem que se abrir à Misericórdia de Deus.
Como vemos nesta narrativa bíblica, Jesus atravessava Jericó, início da grande subida para Jerusalém. Jericó se situava quase na embocadura do Rio Jordão, no Mar Morto. Zaqueu era um habitante de Jericó, como nos mostra o vers. 2. É importante observar o detalhe: Zaqueu era muito rico. Esse homem queria ver Jesus. A pessoa de Jesus despertava em seu íntimo uma Esperança. Ele devia saber de antemão que Jesus era alguém que vinha da parte de Deus, pois a fama de Jesus era grande naquela ocasião.
Subindo a uma árvore daquela região, Zaqueu fez um ato de humildade. Pouco importava o que pensassem dele. O importante era ver Jesus de perto, pois intuía que esta presença só poderia ser uma fonte de bem para ele. Realizou-se o que se encontra na carta de S. Tiago, em Tg 4, 6: “Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes”. A humildade é uma graça de Deus concedida ao homem e que atrai imediatamente a Vontade Divina.
Jesus gritou para Zaqueu: “Desce depressa porque hoje preciso ficar em sua casa”, como nos mostra o vers. 5.
Ele acolheu Jesus com alegria. Esta alegria será muito maior quando o próprio Deus nos disser, após o julgamento final, que precede a vida definitiva junto a Ele, a vida eterna, como nos mostra Mt 25, 21: “Muito bem, Servo bom e fiel. Foste fiel no pouco. Eu te constituirei sobre o muito. Entra na Alegria do seu Senhor”. Esta será a alegria definitiva, a alegria que Deus quer preparar para todos nós, se confiarmos na sua Grande Misericórdia.
Zaqueu se dispôs, perante Jesus, a reparar todos os seus pecados, conforme a mentalidade de seu tempo. Zaqueu se dispôs a desapegar-se do que fosse necessário para não perder a Jesus daquele momento em diante. Ele demonstrou um verdadeiro arrependimento.
Jesus mais uma vez apresentou a sua Grande Misericórdia: “Hoje a Salvação entrou na sua casa”, como nos mostra o vers. 9. A casa de Zaqueu, pela presença de Jesus, foi transformada no verdadeiro Templo. O termo casa foi aplicado por Jesus ao Templo de Jerusalém: “Minha casa será chamada casa de oração” ( Mt 21, 13 ).
Enfim, Jesus fez a grande apresentação de sua Vinda entre os homens: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”, como nos mostra o último vers., o vers.10. O termo Filho do Homem se refere ao próprio Jesus. É uma outra maneira de apresentar o seu Messianismo.
Este final da narrativa torna-se para nós fonte de uma grande alegria e esperança, pois o próprio Deus se empenha na nossa salvação muito mais do que podemos imaginar. Só se perde quem quiser se perder. Essa será a miséria dos condenados: Saber que se perderam por sua própria culpa, pois Deus jamais abandona o homem. É o homem que, por livre e espontânea vontade abandona a Deus.
Peçamos a Deus, conforme Jo 16, 23: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá”. Tenhamos, portanto, a humildade de pedir a Deus: “Ó Pai, em nome de Jesus Cristo, dai-nos a graça de nunca abandonar-Vos”. A perseverança nesta simples oração nos levará à Grande Surpresa no final de nossas vidas. a Vida Eterna.
 
Dom Eduardo de Sousa Schuls, OSB

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