Quanto mais se aproxima a viagem de Bento XVI ao Reino Unido, na metade de setembro, mais aumentam, entre os anglicanos, aqueles que querem entrar para a Igreja de Roma, segundo as indicações dadas pelo Papa na constituição apostólica “Anglicanorum coetibus”, do dia 4 de novembro de 2009.

A nota é de Sandro Magister, publicada em seu blog Settimo Cielo, 03-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os mais ansiosos são os pertencentes à Traditional Anglican Communion, cerca de meio milhão, com numerosos padres e bispos, presentes nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, em ruptura há quase 20 anos com a Comunhão Anglicana, à qual não perdoam o desvio rumo à ordenação de mulheres ao presbiterado e ao episcopado, a consagração de bispos homossexuais, a benção de casais do mesmo sexo.

Em poucos dias, dois blocos de dioceses que lideram a Traditional Anglican Communion, no Canadá e na Austrália, deliberaram que querem entrar na Igreja de Roma.

Em Vancouver, no final de julho, a Anglican Catholic Church of Canada votou com esmagadora maioria pela união com a Igreja Católica nas modalidades previstas pela “Anglicanorum coetibus”, designando Peter Wilkinson como o bispo que deve presidir o novo ordinariato instituído.

E logo depois a Coomera, um sínodo da Anglican Catholic Church of Australia decidiu a mesma coisa, com apenas 6 votos contrários de 56. Uma decisão semelhante está agora à espera de outro grupo tradicionalista anglicano presente na Austrália, a Church of Torres Strait.

Mas se essas mudanças de campo podem parecer óbvias, mais surpreendente é o passo dado nos últimos dias no coração do anglicanismo, a Church of England, por 15 de seus bispos, com uma carta aberta na qual declaram sentir-se sempre mais desconfortáveis na Comunhão Anglicana e sempre mais atraídos por entrar na Igreja Católica Romana. Outros dois bispos também disseram que querem se associar.

Trata-se, em todo o caso, de bispos pertencentes à corrente chamada anglocatólica, mais ligada à tradição. A maior parte dos 77 milhões de anglicanos no mundo pertencem, ao contrário, da corrente chamada “evangelical”, esta também largamente hostil à ordenação das mulheres e dos homossexuais e presente principalmente na Nigéria, no Quênia, em Uganda e em outros países africanos, mas pouco ou não nada propensa a entrar na Igreja Católica.

Entre os bispos “evangelical” que vivem no Reino Unido, um dos mais famosos é o anglopaquistanês Michael Nazir-Ali, crítico da forma como o primaz Rowan Williams media as várias tendências do anglicanismo mundial e enfrenta questão capitais como o Islã e a secularização

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