São Bento: um luzeiro que nos conduz a Luz maior que é Cristo!

 

Com grande alegria, a família monástica do mundo inteiro celebra hoje a solenidade de nosso pai São Bento. Como nos diz São Gregório Magno em seu II livro dos Diálogos: “houve um homem de vida venerável, Bento pela graça e pelo nome!” É deste homem, tão presente -mesmo que inconscientemente- em nossas vidas que iremos meditar no dia de hoje.

Falar de São Bento nos dias em que vivemos, é como se colocássemos um ponto de contradição a uma sociedade alicerçada em valores efêmeros e totalmente distintos daqueles pregados e vivenciados pelo “homem de Deus”. 

Deixar o mundo e entregar-se totalmente a Deus, numa vida consagrada somente a Ele é o ideal proposto aos monges que militam sob a Regra Beneditina, e constitui nos dias atuais, como uma “loucura” por parte daqueles que o fazem. A vida monástica, desde seus primórdios, é vista como um sinal de contradição ao mundo e aos seus prazeres, colocando aqueles que a abraçam como um “espetáculo” apresentado diante de uma platéia sedenta de ideais que tornam o ser humano cada vez mais vazio de Deus e cheio de si mesmo.

Muito antes de São Bento, tem início no deserto do Egito um novo estilo de vida denominado como vida monástica, no qual, cristãos convictos de sua Vocação a santidade, buscam a Deus de uma maneira que não visa esforços, para que O mesmo seja encontrado e vivenciado.

A vida monástica cristã teve sua origem com Santo Antão do deserto, que como o nome sugere passou toda a sua vida (após sua conversão) no deserto do Egito; assim como ele vários outros procuravam a santificação através da ascese, ou seja, de um estilo de vida onde a busca de Deus deixava de lado todas as outras necessidades. Ainda hoje temos relatos preciosos destas vidas heróicas dos assim chamados,“Padres do deserto”; os Apoftegmas (como são conhecidos) constituem a melhor fonte de informações sobre sua vida,sabedoria e costumes.

A vida eremítica no deserto, era a busca do “novo martírio”, ou seja, as perseguições aos Cristãos não estavam mais como nos primórdios, e assim, esses “pais” do deserto buscavam na vida de solidão o seu martírio; mesmo sem derramar seu sangue a vida no deserto constituía assim uma nova espécie de testemunho de sua fé. Cada um vivia na sua cela, onde meditava e trabalhava na fabricação de cestos, que além de ocuparem os monges lhe davam meios de sobrevivência; o que não era vendido era desmanchado ou queimado e começavam novamente todo o trabalho, tecendo e desmanchando cestos.

Mas foi com São Pacômio que o monaquismo começou a ganhar um aspecto comunitário, onde os discípulos juntavam-se ao seu mestre e com ele formavam uma comunidade; disso originaram-se os Mosteiros.

Foi com São Bento que esta vida e espiritualidade começaram a adentrar mais profundamente no Ocidente. Como vimos, São Bento ainda jovem, ao deixar a casa dos pais para estudar em Roma, decepciona-se com a leviandade encontrada na cidade eterna, e busca na vida eremítica o contato mais profundo com Deus.

Depois de um longo tempo (3 anos) passados na solidão da gruta de Subiaco, onde se dedicava a contemplação de Deus e a ascese, Bento é convidado a ser abade de um grupo de monges, os quais ao verem a seriedade do santo homem, acham muito difícil o seguimento de seus princípios e o tentam envenenar.

Com isso funda o Mosteiro de Monte Cassino, onde começa a reunir em torno de si vários seguidores, desejosos de abraçar a vida monástica segundo os preceitos instruídos pelo santo homem de Deus. Em uma vida mesclada através da Oração e do Trabalho, o monge busca cada vez mais contemplar a Deus em sua vida cotidiana.

Foi essa a espiritualidade que resgatou toda a Idade Média de um grande declínio na Fé, pois os mosteiros conservaram consigo toda a riqueza espiritual da Liturgia e também do saber. A cultura era também vista por São Bento como um aspecto essencial na vida cotidiana do monge, pois através da leitura e meditação das Sagradas Escrituras e dos ditos e escritos dos santos padres o monge alimentava sua espiritualidade e mergulhava no profundo oceano da contemplação. A lectio divina, é portanto o grande baluarte de toda espiritualidade monástica.

Ler, meditar e orar a Palavra de Deus, aplicando seus frutos no dia a dia, através do constante “labora”, faz com que o monge percorra gradativamente os degraus da escada da Humildade, apresentada por São Bento em sua Regra, como um caminho que nos conduz até Deus (cf. RB 6).

Como vimos ao perpassarmos alguns pormenores da vida deste glorioso servo de Deus, podemos perceber que o mesmo instruía seus filhos mas pelo exemplo do que pelas palavras, e que sua vida portanto, era uma constante irradiação do carisma do Espírito que nele se fazia presente como mestre de vida interior.

“O retíssimo caminho de nosso Pai, foi a perfeição de sua vida” (St. Elredo), vida esta que ultrapassa as gerações e até hoje nos orienta e nos guia na busca de Deus através do “Ora et labora” que culminará na “Pax” plena do Reino de Deus.  

Que sua vida e seus milagres, sejam para nós, hoje, apoios firmes e seguros que nos façam confiar e nos alegrar em termos um pastor tão magnífico e um patrono tão extraordinário, o qual, sendo tão poderoso na terra, muito mais o é no céu, onde continuamente intercede a Deus por nós, seus filhos e filhas para que “nada, absolutamente nada, antepondo ao amor de Cristo, cheguemos juntos a vida eterna” (cf. RB 72) guiados por tão santo e humilde pai e pastor! Assim seja!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

———————————————————————————————-

Horário das celebrações da Solenidade de São Bento no Mosteiro de São Bento de São Paulo – 2010

10 de julho, Sábado

17h I Vésperas Solenes

11 de julho, Domingo

7h Laudes Cantadas

8h30 Santa Missa

10h Santa Missa Pontifical

16h45 II Vésperas Pontificais e Benção do Santíssimo Sacramento

* Todas as celebrações serão acompanhadas com canto gregoriano e órgão

Anúncios