“JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!”

           

A Perícope evangélica desta semana (Lc 7, 11-17) nos mostra Jesus que tem compaixão do povo sofredor – hoje representado pela viúva de Naim.

Na entrada da cidade de Naim, dois cortejos se encontram: o da Vida e o da morte. De um lado, Jesus acompanhado de seus discípulos e grande multidão (Lc 7, 11); do outro, seguido de sua triste mãe viúva e também de grande multidão da cidade, vinha carregado um jovem defunto (Lc 7,12).

O Senhor da Vida depara-se com essa triste realidade e sente compaixão; sofre dentro de seu coração as dores que lancinavam no peito ferido daquela pobre viúva.

Ora, sabemos que a situação de uma viúva no tempo de Jesus não era algo muito fácil; falecido seu marido, a mesma era colocada sob a custódia dos filhos, e não tendo estes, encontrava-se à mercê da própria sorte. O Evangelho nos diz que o jovem falecido era filho único desta viúva (Lc 7,12), portanto, a mesma não tinha mais ninguém por si a não ser o próprio Deus. E é este que escuta seus lamentos e vem ao seu encontro! “Mulher, não chore!” (cf. Lc 7,13).

A Palavra criadora do universo, aquele que é o Verbo eterno de Deus, consola a mulher e lhe dá a alegria de ter seu filho vivo novamente.

 “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” (Lc 7,14)

Mal as palavras de Jesus tocam o ouvido gélido do cadáver e este volta à vida e começa a falar. Aquele que jazia nas sombras da morte, recebe novamente o sopro vivificador que emana das palavras de Jesus, Senhor da Vida!

“Eu sou a ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim mesmo que esteja morto viverá” (Jo 11,25).

A reanimação do cadáver, causa no povo grande alvoroço, e todos ficaram com muito medo e glorificaram a Deus reconhecendo na pessoa de Jesus a figura de um grande Profeta, pois viram em sua ação algo muito maior do que fizera Elias em Sarepta (1 Rs 17,17-24) e Eliseu na casa da viúva sunamita (2 Rs 4:35-4:35).

É o próprio Deus que visita seu povo; não mais através de profetas, mas Ele mesmo que assumindo a condição humana vem nos trazer a Salvação e a Vida.

Quantas vezes em nossas vidas, não deixamos passar despercebido o toque de Deus em nossos caixões mortuários, que conduzem nossas almas afundadas na miséria e na morte.

É Jesus que passa e nos diz: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” e ao toque de sua mão, nossa vida ganha Vida, ganha Luz, ganha Esperança.

“De quanta amargura muitas vezes me livrastes, ó bom Jesus, vindo a mim! Quantas vezes, depois de atormentado pranto, depois de inumeráveis gemidos e soluços, curastes minha chagada consciência com o ungüento de vossa misericórdia e a ungistes com óleo de alegria! Quantas vezes, no início da oração, me vi quase desesperado e, depois, dela saí exultante, audaciosamente seguro do perdão! Os que como eu, são atribulados, estes sabem ser o Senhor Jesus o verdadeiro médico que cura os corações contritos… Quem tal experiência não fez, creia naquele mesmo que disse: ungiu-me o Espírito do Senhor e me enviou a evangelizar os pobres e curar os contritos de coração. Se ainda duvidar, aproxime-se com segurança, faça experiência e, por si mesmo aprenderá o que significa: misericórdia quero, e não sacrifício.” (São Bernardo, Comentário ao Cântico dos cânticos, 32,3)

Que a meditação deste Evangelho nos ajude a termos sempre Fé e Confiança naquele que é o Senhor de nossas vidas. Amém!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

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