“Deus é um abismo de amor, mas Ele revelou-se e por isso torna-se participável. A Humanidade inteira foi deificada por Cristo e assim Ele nos deifica!” (São Gregório Palamas).

Visando a leitura meditativa do Evangelho deste VI Domingo do Tempo Pascal (João 14,23-29), o pensamento do monge oriental São Gregório Palamas (Monte Athos, 1296-1359) nos auxilia muito, pois mostra-nos o sentido de permanecermos em Cristo, para que assim, como Ele mesmo diz, realize-se em nós a habitação divina. 

A única coisa necessária para que isso aconteça é o amor, amor sem limites, amor que se traduz em obras pois: “se alguém me ama guardará minha Palavra” (Jo 14,23).  Mas, o que é guardar a Palavra de Jesus? Será que se resume apenas em colocá-la num lugar seguro, onde esteja protegida de qualquer tipo de corrupção? Será apenas ouví-la e fingir que ela habita em meu coração? Será talvez usar a Palavra de Deus como um “prósopo” (máscara) para que assim eu possa ter uma imagem boa diante da sociedade, mas no fundo não passo de um fariseu?

Penso que guardar a Palavra é transformá-la em VIDA; a minha vida; viver em Cristo a tal ponto de exclamarmos como o apóstolo São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!” (Gal 2,20)

Este Evangelho nos situa ainda no contexto da última ceia, e vemos que Jesus dá aos seus discípulos instruções de como deveriam proceder após sua partida para junto do Pai. O mandamento do amor novamente tem um impulso enorme, pois é através dele que os discípulos poderão estar constantemente em comunhão com Jesus. Porém um fato novo permeia este texto: o anúncio da vinda do Espírito Santo, o Defensor, Aquele que: “vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,26).

A pessoa do Espírito Santo aparece aqui como a daquele que vai ser o impulsionador para que a Palavra de Jesus permaneça nos corações de seus apóstolos e de cada um de nós; é Ele que nos capacitará para o cumprimento do mandamento do amor, e fará de nós verdadeiras testemunhas do Ressuscitado que está presente na Igreja. Ele transformará os corações para que o nosso amor seja como o amor de Jesus, amor que se doa sem limites, pois o próprio Espírito Santo é o fogo do amor a arder em nossos corações.     

As Palavras do Papa João Paulo II em sua Encíclica Dominum et vivificantem, sobre o Espírito Santo na Vida da Igreja e do mundo, nos ajudam a aprofundarmos um pouco mais este mistério que se faz presente em nossas vidas: “Pouco depois do anúncio acima referido, Jesus acrescenta: «Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que eu vos disse». O Espírito Santo será o Consolador dos Apóstolos e da Igreja, sempre presente no meio deles — ainda que invisível — como mestre da mesma Boa Nova que Cristo anunciou. Aquele «ensinará» … e «recordará» significa não só que Ele, da maneira que lhe é própria, continuará a inspirar a divulgação do Evangelho da salvação, mas também que ajudará a compreender o significado exato do conteúdo da mensagem de Cristo; que Ele assegurará a continuidade e identidade de compreensão dessa mensagem, no meio das condições e circunstâncias mutáveis. Por conseguinte, o Espírito Santo fará com que perdure sempre na Igreja a mesma verdade, que os Apóstolos ouviram do seu Mestre.” (DV, 4)

Ó Divino Espírito Santo, Consolador e Defensor, inundai nossos corações do fogo do vosso amor, para que assim repletos deste mesmo amor, possamos ser no mundo sinais comprometidos com a causa do Reino, testemunhas fiéis de Jesus Cristo, que nos ama com amor eterno e por nós entregou sua vida, para que por sua morte tivéssemos a vida em plenitude! Amém!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

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