O novo mandamento do amor

A cena evangélica deste quinto domingo do Tempo Pascal (Jo. 13,31-33a.34-35), nos reporta ao contexto de um fato já conhecido por nós: a última ceia.

Num primeiro momento causa- nos certa estranheza a leitura deste Evangelho dentro do contexto Pascal em que estamos vivendo. Porém, se o mesmo for lido à luz da Ressurreição, veremos que aí vamos encontrar argumentos de grande valia na compreensão da Paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Todo o sofrimento vivenciado por Jesus teve como viéis principal o amor total pela Humanidade; na base de seu ato salvador, verdadeiramente humano e livre, estava a solidariedade para com os pecadores; não com o pecado e suas malignas conseqüências, mas sim com as vítimas de tão triste situação. Foi seu grande amor por cada um de nós que o levou a dar a sua vida para que nos reconciliássemos com Deus. “Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho.” (Rm. 5,10).

Ora, nos últimos versículos da perícope evangélica que nos é proposta, vemos um insistente convite de Jesus ao amor, e também a instauração de um “novo” mandamento: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, que também vós uns aos outros vos ameis.” (Jo. 13,34)

Porém, se voltarmos ao Antigo Testamento veremos que este mandamento já existe: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv. 19,18); mas, Jesus acrescenta um novo argumento e por isso o chama de “novo”: “como eu vos amei” (Jo. 13,34).

Amar como Jesus amou, consiste em entregar-se sem reservas, dar a vida se for necessário, para que por nossa vida outros sejam salvos. Mandamento difícil de ser cumprido este, principalmente nos dias atuais, em uma sociedade que vive cada dia mais mergulhada no profundo abismo do egocentrismo, onde o outro não tem importância nenhuma e o que vale é que “eu” me realize.

A cruz de Jesus foi um ato de amor total, e inspirado nele inúmeros foram os que deram suas vidas para que por seu sangue muitos tivessem a vida e a Fé.

A figura dos mártires nos questiona se estamos de fato vivenciando esta entrega total ao amor. O martírio hoje pode não consistir no derramamento de sangue propriamente dito, mas sim em permanecermos fiéis a Jesus Cristo e sua Igreja dando um testemunho coerente de nossa Fé, vivenciando o novo mandamento.

Vemo-nos cercados por “Leões” devoradores que querem a todo custo mostrar que hoje não vale mais a pena ser cristão, que a Fé é apenas um anestésico para diminuirmos nossos problemas. Ser Cristão nos dias atuais é literalmente dar “a cara a tapa”, e como nos diz São Paulo: sermos “colocados como espetáculo para o mundo, para os anjos e para os homens… Insultam-nos? Nós bendizemos. Perseguem-nos? Nós suportamos. Caluniam-nos? Nós respondemos com amizade. Temos sido como que o lixo do mundo, a escória da Humanidade.” (cf. I Cor. 4,9-13).

Amar como Jesus amou é não ter medo de vivenciarmos a Cruz dolorosa de cada dia, pois sabemos que depois dela a Ressurreição virá gloriosa como prêmio para cada um de nós que fiéis, observamos o novo mandamento do amor!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

Anúncios