O papa Bento XVI, que completa hoje cinco anos de pontificado, encontrou-se ontem – 18 de Abril de 2010 – com vítimas de abusos sexuais na ilha de Malta. Segundo uma dessas vítimas, o pontífice chorou durante a reunião. Foi a terceira vez que Bento XVI recebeu pessoas que sofreram abusos de membros da Igreja. 

Hoje – 19 de Abril a notícia foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo e em todos os grandes jornais do mundo inteiro. 

Nova onda de denúncias de abusos contra menores, iniciada por um relatório que no ano passado revelou mais de 30 mil casos na Irlanda nas últimas décadas, pôs a Igreja em crise. O próprio papa foi atingido, ao ser acusado de ter evitado punir sacerdotes pedófilos quando chefiou a Congregação para a Doutrina da Fé, durante o pontificado de João Paulo II. Será crise mesmo? ou uma maneira de tentar ser coerente com a pregação evangélica, uma vez que a própria Igreja está à frente das investigações para  “limpar” os erros cometidos por alguns padres? 

A visita do papa a Malta durou apenas 26 horas, e a reunião com oito vítimas de abuso foi o evento mais significativo. “Fiquei muito impressionado com a humildade do Papa”, afirmou Lawrence Grech, de 37 anos, uma das pessoas que foram abusadas por padres em um orfanato local, durante a década de 1980. Ele também contou que Bento XVI chorou durante o encontro. 

As oito vítimas, acompanhadas por bispos de Malta e de Gozzo (a segunda maior ilha do arquipélago), foram recebidos por cerca de 20 minutos na capela da nunciatura apostólica (uma espécie de embaixada do Vaticano) local, na vila de Rabat, aonde chegaram de barco. 

“Houve um momento de oração silenciosa, de joelhos, e logo o Santo Padre os recebeu um por um”, contou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi

Grech disse que a demonstração de solidariedade do papa o impediu de exigir um pedido de desculpas, como havia planejado. “Antes eu disse que queria desculpas porque estava enojado. Agora minha cólera passou e estou satisfeito pelo meu encontro com o papa. Continuarei com minha batalha, não contra a Igreja, mas contra a pedofilia.” 

Vergonha 

Após o encontro, o terceiro de Bento XVI com vítimas de abusos – os outros ocorreram na Austrália e nos Estados Unidos -, o pontífice voltou a dizer que lamentava e que sentia “vergonha” pelos atos de pedofilia em instituições da Igreja, afirmou o Vaticano. “A Igreja faz e continuará fazendo tudo o que está em seu poder” para investigar os casos, levar os responsáveis a julgamento e “proteger os jovens”, completou o papa.

Há um mês, em carta aos irlandeses, o papa já havia expressado a “vergonha” e o “remorso” da Igreja. Desde então, novas denúncias – como a de que dezenas de padres pedófilos foram transferidos para outros países, tentando condenar a IGREJA como responsável pelos atos inadequados de alguns membros. Segundo o Santo padre os responsáveis por tais abusos devem ser julgados e punidos.

Em missa celebrada em Floriana, povoado na periferia da capital Valletta, o papa convidou os malteses a continuar “defendendo os valores cristãos” – que classificou como “contracultura”, frente às evoluções da sociedade europeia – e felicitou a população por suas posições contra o divórcio e o aborto – ambos são proibidos no arquipélago, com 95% de habitantes católicos. 

Rezemos pela santificação do clero e peçamos a Graça de caminhar nos prados verdejantes de Deus.

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