"Meu Senhor e meu Deus!"

Sabemos quão grande é a Alegria trazida pela Ressurreição do Senhor, alegria essa que se faz presente em nossa vida pois nos dá a certeza de nossa ressurreição! Para que esta alegria se manifeste de um modo ainda maior, a Liturgia celebra durante oito dias a Solenidade da Páscoa. Durante a “oitava”, como são chamados esses dias, rezamos com as palavras do salmo 117: “Este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos e nele exultemos!”

O último dia da oitava de Páscoa, (II Dom. do Tempo Pascal) segundo uma antiga tradição é chamado de “Dominica in albis”, pois neste dia os neófitos (catecúmenos que haviam recebido o Batismo na Vigília Pascal) depunham as vestes brancas que portavam desde o dia de seu Batismo ocorrido na Noite de Páscoa e eram levados até a Igreja de São Pancrácio, onde eram exortados a imitarem e testemunharem em suas novas vidas de cristãos o exemplo do jovem mártir, que aos doze anos entregou sua vida por Cristo, dando assim testemunho de seu Batismo.

O Evangelho lido neste Domingo (João 20,19-31) , nos mostra a figura de Tomé, que não estando presente na primeira aparição do Cristo Ressuscitado não acredita na palavra dos outros apóstolos e tem necessidade de “tocar” nas chagas do Senhor para crer na ressurreição: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20, 25). Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios e que não fazem caso do testemunho da comunidade, nem percebem os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de integrar-se e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus. Porém, vemos que o Cristo atende sua necessidade e lhe dá a oportunidade de “tocar” em seu corpo, para que assim Tomé possa dar, juntamente com os outros apóstolos, um testemunho de sua experiência com o Ressuscitado: “Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”

Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”

Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” (Jo 20, 27-29).

Com esta exortação de Jesus, vemos que todos nós, em nossas vidas, podemos vivenciar a experiência da Ressurreição, que se realiza cada vez que a comunidade cristã se reúne para celebrar a Eucaristia. Aí, o Cristo Ressuscitado se faz presente e se dá em alimento para que “não sejamos incrédulos, mas fiéis”!

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

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