RESILIÊNCIA – Qual o Saber e o Sabor da Superação? – Mosteiro de São Bento de São Paulo, 08 de Março de 2010.

“ A pessoa resiliente é capaz não só de resistir às forças desagregadoras,

Mas de capitalizá-las no processo de seu desenvolvimento pessoal e social”.

(Antonio Carlos Gomes da Costa). 

Cristina J. Dias e a resiliente Patrícia Janaína Silva - Medalha de ouro no Campeonato Mundial de Judô na Bélgica em 2008

A resiliência representa uma mudança de paradigma que inclui a passagem do modelo médico tradicional, centrado na fraqueza e na doença, para outra perspectiva que inclui a capacidade de enfrentamento, o estímulo às potencialidades, a consideração da esperança e o ato de lidar com o desafio. A possibilidade de enfrentar a adversidade, e superá-la é que torna as pessoas fortalecidas e que gera a resiliência. Vera Placco conceitua a resiliência como sendo:

a capacidade do indivíduo de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades, de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante desses desafios e circunstâncias desfavoráveis, tendo uma atitude otimista, positiva e perseverante e mantendo um equilíbrio dinâmico durante e após os embates – um aspecto que ativado e desenvolvido, possibilita ao individuo superar-se e às pressões de seu mundo, desenvolver um autoconceito realista, autoconfiança e um senso de autoproteção que  considera a abertura ao novo, à mudança, ao outro e à realidade subjacente. (Placco, 2002: 7). 

É imprescindível que a resiliência seja exercida no Campo Profissional, pois se os chefes, supervisores e gestores de pessoas forem preparados para serem cada vez mais resilientes em relação aos seus compromissos pessoais e profissionais, sem dúvida poderão ser mais capazes de formar pessoas e cidadãos, também, cada vez mais resilientes.

 As pesquisas mostram que a resiliência é uma variação individual em resposta ao risco, e que os mesmos fatores de estresse podem ser vivenciados de maneira distinta por diferentes pessoas.

Os estudos apontam para uma série de variáveis, tais como: as diferenças individuais, experiências compensatórias  dentro e fora de casa, o desenvolvimento da auto-estima, oportunidades, grau apropriado de estrutura e controle, a presença de vínculos e relacionamentos íntimos e a aquisição de competências.

O que importa não é preciso fugir das adversidades, o essencial é podermos estudar o que o indivíduo faz quando está na situação de risco, pois isso é que vai determinar se a experiência será estressora ou protetora em seus efeitos.

Para os pesquisadores Werner & Smith (1989) citados em Tavares (2002) há três tipos de fatores de proteção que marcam as pessoas resilientes:

a) nível de atividade e sociabilidade, competência em comunicação (linguagem e leitura);

b) laços afetivos na família que oferecem suporte emocional em momento de estresse;

c) sistemas de suporte sociais na escola, no trabalho, na igreja, que propiciam competência e determinação individual e um sistema de crenças para a vida.

Os estudos afirmam que uma boa medida de tornar as pessoas mais confiantes e resilientes para enfrentar a vida perante as adversidades é justamente, ajudá-las a descobrir as suas capacidades, aceitá-las e confirmá-las positiva e incondicionalmente.

As empresas e as organizações serão tanto mais resilientes quanto mais coletivas, flexíveis, livres, rápidas nas respostas, partilharem seus processos e seus resultados. Neste sentido, as organizações resilientes estão no pólo oposto das organizações burocráticas. Nas sociedades desburocratizadas e mais resilientes, o desenvolvimento de mudanças  promovem a inovação e a criatividade por meio de novas aprendizagens sobre como lidar com o stress,  aplicação de gestão de respostas rápidas, espírito empreendedor, capacidade de congregar ideias e ações, sentimentos e vontades para objetivos convergentes e solidários.

Rodríguez citado em Melillo (2005) propõe uma formulação para expressar a relação entre resiliência e fatores de resiliência:

Resiliência = Fatores de resiliência + X 

Com essa expressão, Rodríguez “quis mostrar a resiliência, como resultado individual da resposta de superação às adversidades, é mais do que a soma dos fatores de resiliência que a promovem e que supõe a existência de um imponderável, o X, que determinará o resultado final”.

A intenção do autor é mostrar que a resiliência parece residir mais numa combinação particular de fatores protetores do que na soma deles. Haverá um fator-surpresa na maneira como o indivíduo, o grupo ou a instituição lida com os fatores de risco e vulnerabilidade que influenciará no resultado final.

Para o fortalecimento das instituições e dos trabalhos comunitários é preciso  investir na mudança do paradigma de um modelo centrado no indivíduo para um modelo  de inserção social, voltado para construção da cidadania. Uma alerta: na hora de trabalhar com a comunidade é preciso escolher entre se abater de dificuldades ou impedimentos ou lutar com os recursos disponíveis e com as reais possibilidades.

Dinâmica durante a palestra

Para reforçar essa postura, citamos a experiência da educadora Cuestas, citado em Melillo (2005), que relata resultados do programa de Oficina de Artes, incluindo artes plásticas, música e literatura, desenvolvido há muitos anos em uma pré-escola na Argentina. A autora relata que a cada fim de ano, nas exposições das produções dos alunos e dos professores, “o produto criativo dos trabalhos, realizados na escola em parceira com a família, revelou que, apesar da obscuridade exterior, dentro de cada pessoa, a alegria teimava em continuar de pé” .

Assim, podemos perceber que nós somos co-responsáveis por favorecer o desenvolvimento sadio, o acolhimento e o bem-estar das pessoas com as quais convivemos em nossos relacionamentos pessoais, profissionais e sociais. É preciso reconhecer a condição pela qual nos ligamos às pessoas, valorizar a cooperação e o senso de humanidade; portanto, convidamos o leitor a seguinte reflexão:

“Quando você ajuda alguém a atravessar o rio transportando-o em seu barco,

você também chega à outra margem”.  (Autor Desconhecido). 

Referências Bibliográficas.          

DIAS, Cristina Jorge. A Interação de Pares na Construção do Jovem Protagonista. Universidade São Marcos. Dissertação de Mestrado em Psicologia. São Paulo, 2008.

DIAS, Cristina J. e LOPES, Penha F. Compartilhar Jogos e Vivências – manual prático de intervenções grupais. SP: Expressão e Arte, 2008.

MELILLO, Aldo; Ojeda, Elbio Nestor Suárez e colaboradores; Resiliência: descobrindo as próprias fortalezas. Porto Alegre: Artmed, 2005.

POLETTI, Rosette e Dobbs, Bárbara. A resiliência – a arte de dar a volta por cima. Rio de Janeiro: Vozes, 2007.

TAVARES, José (org.) Resiliência e Educação. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2002.

ZIBAS, Dagmar M. L.; Vitar, Ana; Ferrettti, Celso; Tartuce, Gisela L. B. P. (orgs.). Gestão de Inovações no Ensino Médio. Brasília: Líber Livro Editora, 2006. 

Mini-curriculo:

Cristina Jorge DiasEducadora, Mestre em Psicologia, Psicodramatista Socioeducacional.

É autora do livro: “Compartilhar Jogos e Vivências”. SP: Ed: Expressão e Arte, 2008.

Ministra cursos e oficinas para jovens, educadores e coordenadores de grupos, em geral.                                        e.mail:  cristinajdias@uol.com.br

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