Para alguns a Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo confunde-se com uma galeria de arte. Isso, devido ao grande número de obras de arte dispostas pelas paredes, corredores, salas e estantes daquela que é a mais antiga biblioteca da cidade de São Paulo.

São peças como esculturas, pinturas, aquarelas, litografias, fotografias, que com sua importância artística e histórica embelezam e trazem alegria à famosa biblioteca.

Algumas peças são estampas históricas reproduzindo originalmente outros mosteiros ou basílicas italianas. Mas a maioria trata-se de obras originais.

Esculturas:

Dentre as esculturas, vale destacar “Fecundidade” de Cecília Centurion, peça em resina representando um dorso feminino. Outra peça importante é uma escultura feita especialmente para uma exposição no Mosteiro. Tal escultura representa Maria orante, intervenção artística sem título, obra conceitual de Andrea Costakazawa. 

Pinturas:

Há diversas pinturas na biblioteca monástica paulistana. Dentre elas destaco um quadro trasladação dos restos mortais do bandeirante Fernão Dias Paes leme para o interior da Igreja do Mosteiro no Século XVII. Sua sepultura encontra-se no transcepto da Basílica do Mosteiro até hoje.  No quadro pintado por Joaquim da Rocha Ferreira em 1953, dá para perceber a antiga edificação do Mosteiro paulista, demolido no início do Século XX para a construção do prédio atual.

Outra importante tela é o retrato de Dom Miguel Kruse (1864-1929), monge alemão que na época da restauração beneditina deu grande contribuição ao mosteiro e a sociedade paulistas, tornando-se, posteriormente abade do mosteiro da cidade mais importante do Brasil: São Paulo.

Encontram-se também distribuídas pela biblioteca pinturas e desenhos reproduzindo a famosa fotografia de 1862, de Militão Augusto de Azevedo. Na fotografia original, vê-se o Mosteiro, o rio Tamanduateí e a Rua 25 de Março. 

Fotografias:

Já na sala de consultas encontram-se duas fotografias ampliadas do Mosteiro em perspectivas diferentes das décadas de 20 e 30 do Século passado.

Na primeira, vê-se ainda, construções coloniais no Vale do Anhangabaú. Percebe-se em ambas o desenvolvimento e expansão da cidade.

É comum se deparar com fotografias de capítulos gerais da ordem, personagens beneditinos e documentos nas estantes da biblioteca. 

Desenhos e Aquarelas:

Encontram-se nos corredores de livros algumas aquarelas e desenhos. O mais importante é o que reproduz a casa de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), o grande gênio da música. A obra é de B. Fosz e não tem data.

Outra importante aquarela é a presenteada pelo famoso historiador paulista Afonso d’Escragnolle Taunay, filho do visconde de Taunay. A obra tem como tema uma discussão entre Frei Gaspar da Madre de Deus e o abade de então (Século XVII), sobre a fundação do Mosteiro de São Paulo e dos feitos dos beneditinos nesta época. A obra encontrava-se em Santos e foi presenteada por Afonso Taunay na Década de 40 do Século XX ao Abade Dom Domingos Schelhorn. Atrás do quadro encontra-se a valiosa dedicatória. 

Livros:

É óbvio que em uma biblioteca encontramos livros. Pois bem, as maiores e mais importantes obras de arte da biblioteca dos monges de São Paulo são os livros. São mais de 100.000 obras formando a mais antiga biblioteca da capital paulista, criada em 1598.

Livros raros, como incunábulos, manuscritos e periódicos formam este grande e histórico acervo.

Algumas obras literárias:

Embora não seja tão antigo (livros raros não são apenas os antigos), Mein Kampf, de Adolf Hitler, Obra marcante que dá as bases para o pensamento nazista, pode ser encontrada nas estantes da biblioteca monástica;

Os Lusíadas, de Camões. Das diversas edições da grande obra sobre os feitos portugueses que podem ser encontradas aqui, colocamos em relevo a edição do final do Século XIX, com capa em couro, madeira e metal, presenteada pelo já mencionado Afonso Taunay ao Abade Dom Domingos Schelhorn em 1939.

Há uma infinidade de livros litúrgicos, de coro e Bíblias desde o Século XV.

Latim, grego, hebraico, francês, italiano, alemão e português arcaico são alguns dos idiomas “falados” pela biblioteca. São Obras de Teologia e suas subdivisões, Filosofia, Monástica (a mais completa de São Paulo), História Eclesiástica e Profana, Direito Canônico e civil, Literatura, Psicologia, Pedagogia e outras áreas.

A Biblioteca doa monges paulistanos reflete a cultura desta comunidade desde sua fundação em fins do Século XVI.

Diante disso, em 2008 foi apresentada uma dissertação de Mestrado na USP, pelo então bibliotecário do cenóbio, André de Araújo sobre esta importante biblioteca. A dissertação Dos livros e da leitura do claustro: elementos de História monástica, de história cultural e de bibliografia histórica para o estudo da Biblioteca-Livraria do Mosteiro de São Bento de São Paulo (Sécs XVI-XVII) contribui imensamente para entendermos o surgimento, desenvolvimento, formas de aquisição, e o mais importante, ajuda-nos a adentrar no tipo de leitura que os monges da São Paulo de outrora liam. É um belíssimo trabalho a tese de André de Araújo. 

Há muito mais a ser visto: Vitrinas com livros, Baús, Gavetas, Maquinas antigas, Imagens. Só uma pequena amostra das belezas deste templo cultural. 

A Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo não está parada no tempo. Continua a receber obras bibliográficas continuamente. Obras de arte sempre acham um espaço em suas paredes ou estantes. 

Além disso, a biblioteca é ponto de encontro de artistas diversos. Em 2010 uma de suas salas de estudos fez parte da exposição Arte e Espiritualidade, com uma instalação de vídeo, móveis e livros antigos.

Faça parte da comunidade da Biblioteca no ORKUT: Biblioteca de São Bento SP.

Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB

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