O evangelista S.Lucas apresenta este sermão de Jesus num lugar plano, depois de descer da montanha. Ele menciona os  felizes ao lado de “ais” que representam já, um tipo de condenados. – “Ai de vós…”
 
No início da Bíblia, quando Deus criou o mundo, Ele foi declarando, passo-a-passo, que as suas criaturas eram boas. Ao criar o homem Deus declarou que era “muito bom”. E tudo foi preparado para que essa criatura se realizasse num paraíso. Mas, afinal,  não aconteceu assim…
 
Então, refletindo um pouco sobre a vida humana,  na perspectiva do profeta Jeremias, podemos concluir, entre outras coisas, que há dois modos de viver:  
um é na abertura, por assim dizer. Abertura para Deus e abertura para o próximo;  partilhando tudo o que for possível daquilo que se é. E, também, partilhando  os bens da vida: os produtos do solo e do trabalho humano.
O outro modo de vida é na cidadela. Fechar-se em si mesmo, na ilusão da auto-suficiência, roubando os semelhantes. Sugando daquilo que são e do que têm; tentando construir uma fortaleza segura para proteger esta sua ilusória auto-suficiência e os produtos da expoliação.
A conseqüência trágica é a vida de muitos roubada por poucos.
 
E isto é realidade.
Mas, Jesus vem libertar-nos desse círculo de morte, ensinando-nos que  há um caminho bom para todos. Chegou a hora de instalar na vida real a prática do amor e da justiça de Deus. O mundo está desfalecendo com a espera.
Jesus anunciou e pôs em prática a felicidade do pobre (o que todos nós somos); do aflito (todos o somos); do faminto e do perseguido, declarando a infelicidade dos habitantes da cidadela  que vivem para a riqueza  e são benditos pela sua sociedade.
Jesus foi morto por conta desta sua prática.
Mas o Pai o ressuscitou e ressuscita todos os justos,  que seguem os passos de Jesus, que são missionários da bondade e da vida.
 
Conclusão,  a história já foi julgada e libertada. Já está acontecendo. E o triunfo irá se manifestando pouco a pouco. Se eu não crêsse nisto seria, no dizer de S.Paulo, a criatura mais digna de compaixão.

Dom Abade Luis Cesar de Proença – Mosteiro de São Bento de São Paulo

Anúncios