Mosteiro de São Bento, Rua 25 de Março e Rio Tamanduateí - Militão de Azevedo, 1862

Por Carolina Simon

São Paulo, megalópole de onze milhões de habitantes, babel contemporânea, cidade global, selva de concreto, aço e vidro, fumaça, trânsito caótico, polifonia de ruídos, ou, como quis Caetano Veloso: mais possível novo quilombo de Zumbi. São Paulo, cidade provinciana, algumas dezenas de milhares de almas habitando casas de barro, transitando lentamente por ruas estreitas e tortas, esbarrando em escravos. Nos chafarizes públicos, filas para se obter água para os lares. Um sino soa – São Francisco ou São Bento – avisando da saída da procissão, cascos de cavalo batem no chão, algumas carroças. Na Rua do Comércio imperam os trajes austeros e a infinita coleção de barbas, bigodes, cavanhaques, suíças e afins. Há uma cidade, duas ou muitas? 

A cidade de São Paulo recebeu ao longo de sua existência uma vastidão de interpretações, títulos, rótulos e mitos: Cidade que nunca dorme, Locomotiva do Brasil, Túmulo do Samba, Capital da Solidão, Berço da Nação… Todas as denominações, como mitos, trazem possibilidades de compreensão, mas não verdades ou mentiras absolutas. Memória da Cidade: história e patrimônio de São Paulo põe no mesmo espaço e tempo duas cidades separadas não por uma distância geográfica, mas por mais de uma centena de anos, flagradas cada uma no seu tempo por um fotógrafo. A exposição vai de 23 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010, no espaço Caixa Cultural.

Maiores informações: www.caixacultural.com.br 

Anúncios