Hoje o Cristo nos convida a tomar um vinho bom. Ele nos oferece o  vinho novo. Na verdade é ele o vinho novo. 
Hoje Jesus salva a festa do casamento  em Caná, resolvendo o problema da falta de vinho. 
É Maria que se apressa em dizer a seu filho: “eles não têm mais vinho”.
 
Este trecho do Evangelista  João tem um belo sentido que vai além das letras: Jesus manifesta sempre a glória de Deus, ajudando e salvando homens e mulheres necessitados. 

Então estamos diante do milagre da água transformada em vinho. 
Depois de sua mãe dizer aos servidores “fazei o que ele vos disser”, Jesus utiliza as talhas usadas para purificação dos judeus. Lá eles punham água para lavar e purificar-se  quando vinham da rua ou em outras situações. É mais ou menos o que fazemos com um lavatório com água encanada em nossas casas.
Com uma diferença: para os judeus esta água para purificação representava todo o seu sistema religioso. A lei de Moisés contém e explica  tudo isso. É um interessante sistema simbólico.
 
Em Cana, de repente esta água foi transformada em vinho, e vinho melhor.
 
Está aqui o significado central  do texto.  A era messiânica, tão esperada, chegou. Ali estava o Messias – o salvador – em carne e osso. E assim, o sistema antigo caiu. 
Diante de Jesus  caem também as divisões contidas naquele sistema. Cristo não admite mais divisões. Agora os pobres, os doentes e os pecadores, todos são aceitos, ajudados e curados. 
E assim, todos estão convidados ao melhor vinho. A um sistema mais humano e mais simples. Cristo é o soberano neste novo sistema. Ele elimina preconceitos. Ele é o vinho melhor.
 
Então eu me pergunto agora: embora tendo fé cristã, qual é o meu preconceito mais evidente? E o seu? O quanto ele nos é incômodo? Vejam que preconceito se desdobra em discriminação. E Jesus não gosta de discriminações.
 
Maria é simplesmente uma intercessora do bem. Ela não manipula Jesus para obter algo para si, para seu prazer.  E nós, quanto temos tentado dominar e manipular os outros para obter deles prazer? Ou para obter favores? Somos muito egocêntricos. Temos sede de domínio.  
Dominar é sempre uma grande e triste tentação. São práticas  de má vida que gotejam sangue, desenhando nosso rastro.
 
Entretanto, hoje, aqui, Jesus nos sacia a todos. Com o único pão que é Ele mesmo. Depois de provar o pão do perdão,  todos somos convidados a nos saciar do mesmo pão eucarístico. Nele somos um.

*Homilia proferida por Dom Abade Luiz Cesar de Proença, OSB – Mosteiro de São Bento de São Paulo

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