Ora et labora: The Saint Benedict Monastery and its relevance in the socio culture development of the Sao Paolo city  

Angelo Bruno de Souza Silva; Ariadne Yasmin Vieira de Melo; Viviane Rodrigues de Almeida[1]; Felipe Marcondes; Fernando Shamil; Flavio Sallin; Gabriel Rodrigues; Marcos Peçanha[2]

RESUMO 

O presente artigo tem como objetivo descrever a concepção, o projeto e desenvolvimento de um objeto sonoro interativo, que explore a conectividade com o meio digital interativo. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa referencial teórica, cujo objeto de investigação foi o Mosteiro de São Bento de São Paulo, enfatizando o canto gregoriano, com o objetivo principal de demonstrar, a importância do Mosteiro para o desenvolvimento sócio-cultural da cidade, a partir do estudo de suas memórias culturais e sociais. Para atingir esses objetivos, foram realizadas pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, sobretudo registros iconográficos e sonoros, além de entrevistas. Concomitante a pesquisa teórica, foi desenvolvida uma proposta de desenvolvimento projetual, contemplando todas as características do objeto sonoro interativo, assim como as informações necessárias para sua montagem. O objeto sonoro é um oratório interativo, onde a partir da interação do usuário com o microfone, uma interface projetada na parede, mostrará o interior da igreja e a cidade de São Paulo, se modificando. Buscamos dessa forma, apresentar a relação entre o conceito de ora et labora – orar e trabalhar -, expressão síntese   do Canto Gregoriano, com a cidade São Paulo, tida no imaginário popular, como  a “a cidade do trabalho”. 

Palavras-chaves: Mosteiro de São Bento de São Paulo. Canto Gregoriano. Objeto Sonoro Interativo.

ABSTRACT 

The present article has the objective describe the conception, project and development of an interactive sound object, that explores the connectivity with a digital interactive interface. As such we chose the focus of the research in the Saint Benedict Monastery of Sao Paolo, emphasizing the Gregorian chant, with the main objective being the demonstration of the importance of the monastery in the socio culture development of the city, as the study of their cultural and social memories. To accomplish such objectives were realized bibliographical and field research, especially icons and sound records, and interviews. Concurrent theory focus we created a project development proposal, contemplating all the characteristics of the interactive sound object, as well the necessary information for its assembly. The is an interactive oratory, which with the user’s interaction with the microphone, an projected interface in the wall showing the interior of the church and the city of Sao Paolo, will modifying. We seek thus present the relationship between the concept of ora et labora – pray and work – synthesis expression of Gregorian Chant, with the Sao Paulo city, locals call as the “city of work”. 

Keywords: Saint Benedict Monastery of Sao Paolo. Gregorian Chant. Interactive Sound Object.

Introdução 

O presente artigo descreve o processo de concepção, planejamento e desenvolvimento de um objeto sonoro interativo, que explora a conectividade com o meio digital interativo, por meio do estudo das memórias culturais e sociais de São Paulo e do tema religião.

De acordo com Chauí (2006), o conceito de patrimônio cultural surgiu somente com a idéia de nação no século XIX, e um dos aspectos aos quais se associa é o conjunto de monumentos, documentos, coleções, objetos antigos e ícones que atuam como suportes da memória, ou seja, constituem a memória coletiva. “Monumento significa sinal do passado; o que evoca o passado; o que perpetua o passado” (CHAUÍ, 2006).

Desse modo, escolhemos como objeto de pesquisa referencial teórica o Mosteiro de São Bento de São Paulo, importante marco da cidade que evoca o conceito de monumento por perpetuar durante séculos a tradição religiosa e a prática do canto gregoriano, assim como evocar memórias tanto sociais quanto culturais da cidade. Assim, nosso objetivo de pesquisa tornou-se demonstrar a importância desse para o desenvolvimento sócio-cultural da cidade, a partir do canto gregoriano.

Em um primeiro momento estabelecemos a relação entre a história do Mosteiro e da cidade de São Paulo, mostrando a relevância do Mosteiro nos acontecimentos históricos desde, desde os tempos coloniais; tratamos também sobre a filosofia de vida beneditina e o conceito de “orar e trabalhar”, assim como sobre o canto gregoriano, definindo-o como uma “oração cantada”, e por fim sobre o Colégio e a Faculdade de Filosofia de São Bento, importantes centros educacionais gerenciados pelo Mosteiro.

Em um segundo momento, abordamos o desenvolvimento do Objeto Sonoro Interativo, apresentando-o desde suas primeiras versões, até a peça final. Ao longo desse processo elucidaremos os pontos de variação e de evolução da discussão e do conceito da peça, concluindo com as propostas finais de conceito, layout, interação e do próprio objeto sonoro interativo.

Em seguida, delimitamos as etapas necessárias para execução do projeto, dividindo nosso objetivo geral em tarefas e sub-tarefas, que serão apresentadas seguidas de uma breve explicação. Por fim apresentarmos as considerações finais e reflexões dos componentes do grupo de trabalho, acerca do processo intelectual e criativo do projeto.

Este trabalho se justifica dada a importância da relação entre a discussão de um conceito e a idealização de um produto. Vale salientar ainda, a importância da percepção do processo de amadurecimento de uma idéia, bem como o entendimento adquirido com a divisão lógica de tarefas necessárias para a conclusão desse produto. É sem dúvida, necessário para o enriquecimento profissional dos estudantes participantes. 

1     O Mosteiro de São Bento de São Paulo 

Os monges beneditinos chegaram a São Paulo em 1598 por intermédio do Frei Mauro Teixeira, que fundou na cidade uma pequena capela, núcleo inicial dos monges beneditinos na cidade. (TAUNAY, 1954)

Em 1600 a Câmara Municipal de São Paulo autorizou a construção do mosteiro no terreno entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Em 1634 a obra foi concluída e elevada à categoria de abadia. A capela foi dedicada a São Bento, e o local então passou a ser conhecido como Largo de São Bento. (INSTITUTO ITAÚ CULTURAL, 1994)

Taunay (1954) conta que, em 1641, após o início da restauração do Reino de Portugal do domínio da Espanha com a aclamação de D. João IV como Rei, os espanhóis naturalizados em São Paulo propuseram eleger um rei paulista, pois acreditavam que se os paulistas se desmembrassem de Portugal, a Capitania de São Vicente se uniria às Índias da Espanha. Assim, apontaram Amador Bueno para o cargo.

O episódio teve seu ápice quando Amador Bueno foi ameaçado de morte caso não aceitasse a coroa, e por fim refugiou-se dentro do Mosteiro de São Bento, sendo preciso que os eclesiásticos mais respeitáveis fizessem a população desistir de seu intento. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, 2007; TAUNAY, 1954)

Com o passar do tempo o mosteiro e a capela tornaram-se pequenos para todas as pessoas que pediam assistência aos monges e até para os próprios monges, culminando em sua primeira reforma, custeada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme. Em troca do auxilio concedido à abadia, o bandeirante pediu que os restos mortais de sua família fossem guardados dentro da igreja (TAUNAY, 1954).

No início do século XIX uma lei do governo mandou fechar os noviciados de todas as ordens religiosas, fazendo com que, já na segunda metade do século XIX, o Mosteiro de São Bento se encontrasse em condições precárias, juntamente com toda a Congregação Beneditina Brasileira. (TAUNAY, 1954)

No ano de 1900, Dom Miguel Kruse reouve os bens da comunidade beneditina e deu início a restauração da vida monástica do mosteiro. Kruse foi uma figura marcante, que soube estabelecer relações de cordialidade em vários âmbitos da cidade. Em 1903, devido aos seus esforços, foi criado o Colégio de São Bento, dentro das dependências do mosteiro. Inicialmente o Colégio oferecia apenas o curso primário e as três primeiras séries ginasiais, hoje é um dos poucos da cidade a oferecer aulas em período integral de educação infantil até a 8ª série. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, 2007)

O projeto educacional do Colégio de São Bento baseia-se na formação integral do indivíduo: formação humanística, intelectual e cidadã. O colégio promove o desenvolvimento do “aprender a aprender”, com o objetivo de superar o ensino fragmentado e descontextualizado muito comum nas escolas de todo o Brasil. (COLÉGIO DE SÃO BENTO, online)

Em julho de 1908, foi fundada a Faculdade de Filosofia e Letras de São Bento, primeira da América Latina, que promove o desenvolvimento cultural e disseminação de conhecimento entre seus alunos e a comunidade paulistana oferecendo debates acadêmicos, núcleos de estudo, cursos de línguas, cursos abertos de formação contínua, palestras e outros eventos. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, 2007)

Nesse meio tempo, Dom Miguel Kruse foi abençoado abade e também iniciou-se um novo projeto de mosteiro, abadia e colégio. A construção deu-se entre 1910 e 1922, de acordo com projeto do arquiteto Richard Berndl, que seguiu a tradição eclética germânica. A nova Abadia de São Bento, o conjunto como conhecemos hoje, foi elevada a categoria de Basílica pelo papa Pio XI, abrigando a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro e o Colégio de São Bento. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, 2007) 

1.1.      A Vida Beneditina

 Pertencentes à tradição beneditina, os monges do Mosteiro de São Bento de São Paulo seguem a Regra de São Bento como mestra da vida monástica. Pela Regra, a vida do monge beneditino transcorre em função do preceito “ora et labora”, que significa, de acordo com Hilário (1986, p. 111): “oração e trabalho num duplo sentido, numa dupla forma de alcançar a Deus. Orar é uma forma de trabalhar, trabalhar é uma forma de orar”.

O ritmo de vida dos monges beneditinos tem como base principal o Oficio Divino, também chamado de Liturgia das Horas, no qual se reza sete vezes ao dia. O canto é considerado um dos principais veículos de comunicação da religião cristã, e o zelo pela oração em comum fez com que os mosteiros fossem conhecidos pela liturgia bem celebrada. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, online)

Segundo a doutrina, o desejo de São Bento é de que os monges encontrem seu sustento dentro do próprio mosteiro, realizando trabalhos variados dentro da comunidade em que vivem, desempenhando uma vasta gama de tarefas que vão desde a limpeza dos recintos, o cultivo da terra, serviços administrativos e intelectuais, dentre outros. (MOSTEIRO DE SÃO BENTO, online)

2     O Canto Gregoriano 

O desenvolvimento do canto gregoriano foi um processo longo, tendo suas raízes nos cânticos empregados pelos antigos judeus. A formação de sua base se deu nos séculos I ao VI, sendo o auge do seu desenvolvimento nos séculos VII e VIII, e a sua decadência nos séculos IX ao XI. (COMBE, 2003)

A origem de seu nome vem do papa Gregório Magno (540-604), o qual organizou e codificou as peças em dois livros: o Antifonário, conjunto de melodias referentes às Horas Canônicas, e o Gradual Romano, contendo os cantos da Santa Missa. Outras contribuições incluem também a Schola Cantorum. (COMBE, 2003)

No final do século XIX, com o advento do mundo moderno, a igreja percebeu uma desconexão entre o ser humano e a sua espiritualidade, sendo que as melodias litúrgicas não eram mais compreendidas e praticadas do mesmo modo que seus antepassados faziam (TORNAI 1880, apud COMBE, 2003). Este processo criou diversos movimentos de contestação, sendo um deles a paleografia, conduzido pelos monges do Mosteiro Beneditino de Pedro de Solesmes, e chefiado por Dom Andre Mocquereau, e outro a noção teórica de tensão rítmica e de expressão, desenvolvida entre 1891 e 1900 por Pothier. A partir destas reflexões, Mocquerau desenvolveu sua própria teoria, a idéia de um ritmo predominante, sendo marcado por acentos em palavras, onde se denotaria um caráter divino. (COMBE, 2003)

A próxima grande mudança ocorre na percepção de que a teoria rítmica de Dom Mocquerau estava ultrapassada, e com o conservadorismo na igreja como um todo, surge um retorno ao passado. A principal formalização disto é a semiologia gregoriana, sendo seu principal expoente Eugene Cardine. (COMBE, 2003)

A semiologia era marcada por um retorno aos textos mais antigos e mais próximos do “original”, pois se percebia que houve um decaimento com as constantes revisões. Este processo de restauração deveria ser conduzido pela utilização de um método correto de interpretação, que propunha que os documentos antigos deveriam ser lidos e interpretados de forma que não se ignorasse a interferência de seu autor em sua escrita, e fatos como o estilo de vida, o modo de interpretação utilizado pela época e a própria noção do ser humano. (COMBE, 2003)

Acima de tudo, Cardine insistiu em dois pontos, o primeiro sendo a quebra nemática, que consiste no método de escrita utilizado para denotar uma nota na Idade Média, e o segundo a noção de valor, unindo a duração e a intensidade, ou seja, a fundação do ritmo gregoriano. É nas variações de valor que ele busca o discernimento da notação nemática e reproduzir, enfim, o canto de tal forma que ele retome o valor primitivo que este possuía. Com este avanço abriu-se uma nova gama de interpretação feito pelo mestre do coro, este poderia fazer uma leitura relativamente livre, desde que respeitando os manuscritos. (COMBE, 2003)

3     O Objeto sonoro interativo 

Incumbidos da tarefa de conceber, projetar e desenvolver um objeto sonoro interativo que integrasse os conhecimentos específicos dos cursos de graduação em Design – Habilitação Design Digital e de Tecnologia e Linguagem Musical – Produção Musical, o primeiro conceito de criação consistia em uma interface interativa que simulasse, ao mesmo tempo, uma partitura de canto gregoriano e uma linha do tempo, onde, a partir da interação com as notas, o usuário recebesse informações sobre a história do Mosteiro de São Bento relacionada à história da cidade de São Paulo.

Para navegar pela interface e interagir com as notas, o usuário usaria o WiiMote (controle do Wii), conforme ilustra a imagem abaixo:

Considerada ainda muito linear, documental e pobre em interação, a concepção logo foi descartada.

Após um processo de amadurecimento do projeto, o cerne passou a ser a filosofia de vida beneditina “ora et labora”, onde orar é uma forma de trabalhar e trabalhar é uma forma de orar. Considerando que no imaginário popular São Paulo é a “cidade do trabalho”, ou ainda, “a cidade que não para”, sob o conceito “ora et labora”, São Paulo é uma cidade que vive em constante oração. O objetivo do projeto passou a ser então, demostrar essa relação.

Com este conceito presente, decidimos que o objeto sonoro interativo seria um oratório disposto em frente a uma interface visual projetada na parede que apresentaria a Basílica rodeada por elementos da cidade de São Paulo. No oratório haveria uma webcam e um microfone, captando movimentos e sons do ambiente.

Em um primeiro momento, a exemplo de uma interface pervasiva, o microfone ficava continuamente captando sons do ambiente que interferiram na interface. A idéia era que, quanto maior o volume do som que o microfone captasse, maior as modificações que a interface sofria. Essas modificações consistiam em animações que apareciam em maior ou menor quantidade de acordo com o volume captado, mostrando pessoas caminhando, carros passando, e outras cenas que caracterizam uma cidade em atividade, assim como sons típicos da cidade (carros passando, pessoas conversando entre si, buzinas, etc), e o canto gregoriano. Enquanto não captava um volume sonoro significativo, a interface permanecia em repouso, ou com uma movimentação mínima.

 A câmera, por sua vez, serviu de sensor de movimento: quando captava algum movimento na frente dela, disparava o som do sino da igreja, dando um alerta para o usuário, como se o estivesse chamando para uma oração. O usuário tinha que se ajoelhar no oratório, sendo que sua presença ali era reconhecida pela webcam. Assim, ele pronunciava uma oração e a interface reagia ao volume de sua voz.

Podemos ver na imagem abaixo os elementos que fizeram parte do objeto sonoro interativo, assim como suas posições:

O conceito de criação desse objeto sonoro interativo era fazer uma analogia da interação do usuário com o conceito de orar e trabalhar dos monges beneditinos. Partindo do conceito de que orar é trabalhar e trabalhar é orar, mostramos que a interface só se move, ou seja, só entra em atividade – trabalho – com a interação do usuário, que estará nada mais do que orando.

4     O Processo de montagem do objeto sonoro interativo 

Para um maior controle e melhor desempenho do projeto, é necessário que ele se divida em tarefas e sub-tarefas. Desse modo, realizamos a divisão que se segue: 

4.1  Da produção de layout 

Conseguimos uma autorização junto ao mosteiro para uma sessão de fotografias da Basílica de Nossa Senhora da Assunção. As fotos que tiramos lá serviram para a composição de nossa iconografia e por fim para o desenvolvimento do layout para a interface visual.

Tivemos que ajustar as configurações da câmera para um maior tempo de exposição e uma numeração ISO mais alta, a fim de conseguirmos fotos de boa qualidade devido à iluminação baixa do interior da Basílica.

Também buscamos fotos de elementos da cidade de São Paulo, como prédios, placas, semáforos e postes de luz, todas com permissão livre para uso em trabalhos acadêmicos. Para a fechada da igreja, entramos em contato com o fotógrafo Luciano Bernardes para que nos cedesse permissão para usar a fotografia em nosso trabalho. A fotografias passaram então por um tratamento para serem utilizadas no layout da interface, desenvolvido de acordo com o conceito do objeto sonoro interativo.

4.2  Da produção das animações 

Para produção das animações em stop motion, gravamos seqüências diversas de vídeos nos arredores da Basílica. Após a captura dos vídeos, convertemos os frames em imagens por meio do programa After Effects e depois selecionamos as imagens que fizeram parte das animações, para, por fim, realizarmos a importação das imagens para o Flash, onde montamos os movieclips das animações.

4.3  Da produção de áudio 

Na preparação das gravações foram feitas avaliações do local da gravação (Basílica de Nossa Senhora da Assunção) no sentido de estudar os recursos necessários para a gravação, localização de fontes elétricas, posicionamento do coral, posicionamento de microfones e equipamentos.

Após a instalação do equipamento foram feitos testes com os microfones, posicionamento e captação pelo software de gravação.  Os microfones tiveram que ser colocados paralelamente entre os dois púlpitos aonde se posicionaram os monges.  Optamos por colocar os microfones em posição “coincidente” em 90°, para evitar o cancelamento de fases. Para a captura do áudio foram utilizados 2 microfones MXL 990, e MXL 991, placa de som M-audio Firebox 610, e um PC AMD Athlon 64×2. Optamos pelo software Cubase LE 4, para gravação e edição do áudio.

Após a gravação de aproximadamente 40 minutos de canto Gregoriano, foi feita uma seleção dos trechos que poderiam ser utilizados.  A partir desta seleção, iniciamos os processos de mixagem e edição.

Numa última etapa aperfeiçoamos o áudio para adequá-lo a integração com o Flash.

4.4  Da montagem do objeto sonoro interativo 

Inicialmente definimos o tamanho do oratório para cortar a madeira e lixar de acordo com o layout definido. Abaixo apresentamos o projeto do oratório, assim como uma foto após sua execução.

Foram realizados testes de presença, onde testamos a verificação de presença do usuário no oratório, através da webcam, assim como testes de integração da webcam e do microfone com o PC, para quais respostas esses dispositivos de entrada retornam ao Flash.

Executamos a interface, passando-a interface do Photoshop para o Flash e deixando todos os elementos importados e passíveis de programação. Na programação pegamos os dados enviados pela webcam e o microfone integrados na peça para através do Flash integrá-los com a interface.

4.5  A Pós-produção do objeto sonoro interativo 

Após a produção do objeto, realizamos testes com os usuários a fim de identificar possíveis bugs a tempo de solucioná-los. Após corrigir o bugs da peça, realizamos novos testes, e desta vez gravamos para documentação e apresentação para a banca examinadora.

5.     Considerações finais e reflexão do grupo acerca do projeto 

Com o objetivo principal de conceber, planejar e desenvolver um objeto sonoro interativo, que explorasse a conectividade com o meio digital interativo, inicialmente realizamos um estudo das memórias culturais e sociais de São Paulo a partir do tema Religião, escolhendo como objeto de pesquisa referencial teórica o Mosteiro de São Bento de São Paulo, a fim de demonstrar a importância deste para o desenvolvimento sócio-cultural da cidade, a partir do canto gregoriano.

Desse modo, apresentamos o histórico do Mosteiro de São Bento de São Paulo e a sua presença na história da cidade, definimos a filosofia de vida beneditina em função do lema “ora et labora” (ora e trabalha), e estudamos o canto gregoriano, que se trata de uma “oração cantada”.

A partir desta pesquisa referencial teórica o projeto passou por uma longa etapa de amadurecimento e descoberta de idéias. Embora tivéssemos a pesquisa teórica bem definida, inicialmente tivemos a idéia de mostrar uma linha do tempo paralela entre a história do Mosteiro de São Bento e a cidade de São Paulo, resultando em uma peça informativa com navegação linear, que não contemplava o nosso conceito de forma a desenvolver uma peça experimental.

Durante o percurso de amadurecimento do projeto, tivemos algumas conversas com monges do Mosteiro de São Bento, gravamos o áudio de uma das celebrações litúrgicas com o intuito de utilizá-lo dentro da peça, tiramos fotos da basílica que serviram de base iconográfica para o desenvolvimento visual, e conseguimos repertório para discussões que culminariam na idéia da peça final.

Passamos então a considerar o imaginário popular, onde São Paulo é a “cidade do trabalho”, sendo então, sob o conceito ora et labora, uma cidade que vive em constante oração. O objetivo do projeto passou a ser mostrar essa relação, fazendo uma analogia da interação do usuário com o ora et labora.

Assim entramos no período de criação visual da peça física e virtual, bem como as pesquisas técnicas de como executar as interações propostas. O processo foi, na medida do possível, coerente com o cronograma que definimos, atrasando em apenas algumas tarefas.

Desenvolvemos um oratório interativo, onde, a partir da integração de um microfone e uma webcam, que captavam a movimentação e sons do ambiente, uma interface projetada na parede se modificava, sofrendo modificações ainda maiores com a interação direta do usuário.

A relação estabelecida com o conceito de ora et labora reside no seu significado. Sendo orar uma forma de trabalhar e trabalhar uma forma de orar, a interface só se move, ou seja, só entra em atividade – trabalho – com a interação do usuário, que estará nada mais do que orando.

Este processo de amadurecimento de idéias para a concepção, planejamento e desenvolvimento do projeto, se baseou na discussão de um conceito e idealização de um produto, e foi, sem dúvidas, de suma importância para o enriquecimento profissional dos estudantes participantes.

Referências bibliográficas 

CHAUÍ, Marilena. Cidadania cultural: O direito a cultura. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

COLÉGIO DE SÃO BENTO. Disponível em <http://www.colegio.org.br/&gt;. Acesso em 20/09/09.

COMBE, D. Pierre; MARIER, Theodore. (trad.); SKINNER, William (trad.). The Restoration of Gregorian Chant. – Solesmes & The Vatican Edition. Washington: The Catholic University of America Press, 2003. Disponível em: < http://books.google.com.br/books?id=-Xlaj4iNuCwC&lpg=PR24&ots=EePreeetWC&dq=semiologia%20gregoriana&hl=en&pg=PP1#v=onepage&q=&f=false&gt;. Acesso em: 20/09/09;

HILÁRIO, Franco Jr. A Idade Média – O nascimento do Ocidente. São Paulo: Companhia Antarctica Paulista e Mosteiro de São Bento, 1986.

INSTITUTO CULTURAL ITAÚ. Largo São Bento, Viaduto Santa Efigênia, Largo Santa Efigênia. 2. ed. São Paulo, 1994.

MOSTEIRO DE SÃO BENTO. Disponível em: <http://www.mosteiro.org.br/Historico/index.htm Acesso em: 09/09/2009.

MOSTEIRO DE SÃO BENTO; VIGNA, Mayre B. C. (org.). Mosteiro de São Bento. São Paulo: Didática Paulista, 2007.

TAUNAY, Affonso de E.  Velho São Paulo Vol. II: Depoimentos sobre a cidade através dos séculos, ruas principais, a abadia de São Bento. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1954.

*Interessados pela apresentação do Projeto, entrar em contato com Marcos Peçanha: pecanha.marcos@gmail.com


[1] Acadêmicos do 6º semestre do curso de graduação em Design (Habilitação em Design Digital) da Universidade Anhembi Morumbi, 2009/02. Email do grupo: intercurso.mosteiro@gmail.com.

[2] Acadêmicos do 3º semestre do curso de graduação em Produção Musical (Tecnologia e Linguagem Musical) da Universidade Anhembi Morumbi, 2009/02.

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