Com abertura em 25 de janeiro, exposição inclui trabalhos de monge beneditino

Sediado no Mosteiro São Bento, evento contou com R$ 100 mil do edital Arte e Patrimônio, iniciativa do Iphan, para organização

No século 17, quando São Paulo ainda era uma pequena vila, o Mosteiro São Bento já abrigava um dos poucos artistas contemporâneos daquele período, o frei Agostinho de Jesus (c. 1600-1661), pioneiro da arte barroca no país.
No próximo dia 25 de janeiro, o mosteiro volta a hospedar a produção contemporânea, desta vez não só criada por artistas religiosos, com a mostra Arte Espiritualidade, com trabalhos de Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti. A organização foi viabilizada pelo edital Arte e Patrimônio, iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que disponibilizou R$ 100 mil para o evento.
Ocupando três andares do mosteiro, em diversos tipos de espaço, como a portaria e os parlatórios, pequenas salas de encontro localizadas no térreo, a exposição terá obras criadas especialmente para o local.
“Eu já pensava em usar o monastério para expor arte, mas a ideia veio do Spaniol e do Giannoti, que juntos me procuraram”, conta Uchôa, 47, que já escreveu sobre arte para a Folha, entre 1993 e 1996, e que, após deixar o jornal, entrou para o mosteiro, onde atualmente dirige a Faculdade São Bento.
A cultura, contudo, sempre esteve presente na vida do monge, artista plástico com exposições no Brasil e exterior, em São Paulo representado pela galeria Luciana Brito. Em 2004, Uchôa cuidou da reforma do teatro do mosteiro, que desde então recebe grandes orquestras, como a St. Martin-in-the-Fields, de Londres. Agora é a vez da arte contemporânea. “Pretendemos dar continuidade a esse projeto, afinal há uma tradição de apoio à arte entre os beneditinos”, diz o monge Uchôa.
A primeira construção do mosteiro terminou em 1634, e, após essa data, o local reuniu obras barrocas, que em breve devem ser vistas em um museu que está sendo criado na Casa da Marieta.
O atual edifício do mosteiro, em estilo neorromânico, foi construído entre 1910 e 1914, com projeto do arquiteto alemão Richard Berndl e, graças à exposição “Arte Espiritualidade”, será possível percorrer vários de seus espaços normalmente fechados para o público, como a capela do terceiro andar, onde Uchôa fará uma grande instalação. “Achamos que não poderia ser uma mordidinha no espaço, mas que deveríamos ocupar muitas salas”, conta o monge-artista. Um dos destaques da exposição deve ser uma projeção no palco do teatro, feita por Spaniol e Giannotti.
“Nesta exposição não há curador, mas buscamos em alguns trabalhos pensar na relação da cidade, ou seja, do entorno do mosteiro, com o que se vivencia aqui dentro”, diz Uchôa. Em sua instalação na capela, com o nome de “Redenção”, ele instalará monitores com transmissão em tempo real de situações da região do centro de São Paulo em confronto com imagens de santos. Se de fato os museus se tornaram as novas catedrais, como afirmam vários pensadores da atualidade, “Arte Espiritualidade” busca reunir os dois espaços num só. (FABIO CYPRIANO)

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ARTE ESPIRITUALIDADE

Onde: Mosteiro São Bento (largo São Bento, s/n, tel. 0/xx/11/3328-8799)
Quando: abertura 25/1; de ter. a sex., das 13h às 17h, sáb. e dom., das 10h às 17h; até 21/2
Quanto: entrada franca

Publicado na Folha de Paulo (23/12/2009)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2212200918.htm 

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