Breve Biografia

Sylvie Lagache nasceu em Paris, em 1955. Iniciou sua carreira profissional aos 17 anos como bailarina clássica, estreando no espetáculo Vêpres Siciliennes, de Verdi, dirigido por Maria Callas e coreografado por Serge Lifar, em Torino (Itália). Prosseguiu no balé moderno, jazz, dança africana e também ioga aplicada ao balé clássico.

Aos 25 anos, deixou a França e veio para o Brasil. Lecionou no Ballet Stagium e no TBC. Submeteu-se a várias terapias verbais e corporais, como psicanálise, psicodrama, terapia reichiana, rolfing, euritmia e reiki. Hoje, em São Paulo, aprofunda-se em estudos teológicos, fazendo o Mestrado – relação Corpo e Espírito. Aprofunda -se também com o conhecimento transcendental, como meditação e relaxamento. Com vasta experiência, atende individualmente como terapeuta corporal em São Paulo e outras cidades. Profere seminários e cursos em todo o Brasil e no Exterior.

Atualmente está na Europa divuldando seu trabalho, retornando ao Brasil no início de 2010.

Em  22 Fevereiro de 2010 ministrará palestra no Mosteiro de São Bento de São Paulo, ocasião onde irá expor sobre “A Importância do resgate da corporeidade no Cristianismo”

Em seguida temos entrevista da Bailarina e Teóloga Francesa Sylvie Lagache ao Jornalisblog.

“França e Brasil se completam”, diz francesa

Embora a França sugira racionalidade e seriedade, a imigrante francesa Sylvie Lagache, 53, sempre esteve mais ligada à arte e à espiritualidade. Chegando ao Brasil aos 25 anos, se deparou com o abismo entre as duas culturas. Enquanto a cortesia e a alegria brasileira a encantavam, a falta de comprometimento a desanimou. Mas a imigrante considerou: “França e Brasil se completam em tudo”.

Embora nascida em Paris, teve a infância e a juventude divididas entre esta cidade e Marly Le Roi, a 20 km da capital francesa, onde ainda moram seus pais. Inovadora, Sylvie se tornou conhecida por aliar dança, terapia e espírito, criando um jeito novo de se dançar ballet.

Dança
Foi aos doze anos que a francesa teve o primeiro contato com o ballet clássico. Já aos 14 se profissionalizou na dança e, aos 17, foi convidada a dançar na Ópera de Torino, na Itália. Contudo, apenas reproduzir passos já criados não satisfazia Lagache, que se diz criadora por natureza. Então, ao conhecer a arte marcial Ai ki do, no mesmo período, viu-se transformar todas as suas concepções de arte. Sylvie uniu a energia oriental da luta com o ballet ocidental, surgindo um jeito novo de dançar. “Era uma dança em harmonia com as energias”, resumiu. 

Perfomance da Profª Sylvie Lagache

No fim da adolescência, Sylvie já ministrava aulas do ballet adaptado em conservatórios e centros culturais parisienses, tanto em grupos como individualmente. “O movimento, de dentro para fora, provocava toda uma transformação, tanto no aluno como em mim”, lembrou.

Nos anos seguintes, recebeu a proposta de ser a sucessora de Lilian Arlen, uma senhora que combinara o ballet moderno com Hatha-yoga. No entanto, Sylvie recusou. “Não consigo reproduzir simplesmente. Não aceitei porque não seria fiel à Lilian”, justificou. Outro fator também a impediu de aceitar a proposta: ela tinha 25 anos, idade em que conheceu o brasileiro Eraldo Pera Rizzo, ator e diretor de teatro. Eles já tinham planos de se casarem e virem ao Brasil nas próximas semanas.

Logo após chegarem, mesmo sem saber uma palavra na língua portuguesa, Sylvie foi aceita para dar aulas em uma renomada escola de ballet moderno, na capital paulista. “A curiosidade em se ter uma professora francesa chamou a atenção das pessoas. Em poucos dias as salas de aula estavam lotadas”, lembrou. Mas foi meses depois, no Ballet Stagium, onde aplicou o seu método e, por isso, ganhou repercussão. “Minhas criações me tornaram reconhecida”, analisou.

Depois dos 27 anos, quase que consecutivamente engravidou de seus três filhos, Olavo, Baltazar e Gabriel. Gestante do caçula, Sylvie e o marido compraram uma casa na Vila Mariana, onde ela montou o Espaço Sylvie Lagache, onde praticou terapia corporal por vários anos ao lado de grandes nomes do ramo.

Corpo e espírito
Aos 34 anos Sylvie se divorciou e iniciou os estudos ligados à terapia e se formou em Acupuntura. Seus atendimentos eram cada vez mais individuais.

Há seis anos estudou Teologia com os dominicanos, com aprofundamento em arte no corpo, terapia e espiritualidade. Hoje ela faz mestrado em Teologia Dogmática, e sua tese é a relação entre a Palavra bíblica e o corpo.

Há 15 anos, Sylvie conheceu Santa Isabel, a 50 km da capital de São Paulo, através de um casal de amigos. Por achar um município em constante integração com a natureza, ela morou lá por alguns anos e, mesmo agora morando em Ribeirão Pires, continua indo à cidade em sextas-feiras e sábados para oferecer sessões de acupuntura em uma igreja católica. Nas sessões, incita uma mudança de vida. “São uma forma de ensinar às pessoas a respeitarem seus limites”.

Além das conquistas citadas, ela já fez terapias corporais em retiros espirituais, ministrou aula de Liturgia e Corpo em uma faculdade de Teologia e também de formação corporal para atores da escola de Wolf Maia, da Rede Globo.

A Simpática Bailarina e Teóloga Francesa Sylvie Lagache

O Brasil na França 
A visão que Sylvie tinha em relação ao Brasil quando ainda morava na França era de um país bem compatível à sua personalidade. “Sempre achei que veria mais espiritualidade e expressão corporal”, contou, acrescentando que essa visão se confirmou com o tempo.

Mas Sylvie se surpreendeu com alguns aspectos do caráter do povo brasileiro. Ela destacou a falta de comprometimento a compromissos e horários e a falta de organização e de planejamento nas tarefas.

Contudo, o que mais a desapontou foi a superficialidade. “Eu sinto falta da fidelidade nas amizades. Os brasileiros são muito acolhedores, mas só no primeiro momento. Na França é o inverso”, afirmou.

Essa superficialidade foi sentida por ela principalmente quando seus filhos foram para a França em busca de graduação, há sete anos. Nesse momento, se viu completamente sozinha.

Mesmo assim, optou por ficar no Brasil mais alguns anos pela estabilidade profissional. “É difícil pensar em se mudar aos 50 anos. Aqui eu tenho toda uma trajetória, lá eu teria que começar tudo de novo”, justificou. Porém, ela pretende voltar ao seu país de origem no próximo ano, tentar uma bolsa e fazer doutorado.

A França no Brasil

Sylvie contou que a adaptação no Brasil não foi difícil no início. “Sempre gostei do diferente”. Mas, com o passar dos anos, se deu conta do abismo entre as duas culturas. “Sinto falta do espírito francês, austero, mas verdadeiro. Dizem que o defeito do francês é ser chato e exigente demais, mas ele também é muito verdadeiro e sincero. Aqui tudo se resume no jogo social”. Porém a francesa considerou: “Os dois países se completam. Um contribui com a sinceridade e integridade e o outro, com a leveza e a alegria”. 

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