Santo Tomás e aqueles que o seguiram: os tomistas

Opúsculo biográfico por Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB

Santo Tomás nasceu em Roccasecca no reino de Nápoles (Itália) em 1225, da família dos condes de Aquino. Entre 1230 e 1239 foi educado no mosteiro beneditino de Montecassino, pelo seu tio, o abade Sinibaldo. Foi levado para ser educado nessa abadia pela esperança dos pais de contribuir para o brilho do sobrenome da família. Devido ao abandono da abadia pelos monges, em conseqüência das contínuas guerras entre o Papa e o Imperador, Tomás é obrigado a retornar à Nápoles (onde surgia uma universidade), para continuar seus estudos. É neste lugar que entra em contato com a Ordem dominicana.

Em 1244, Tomás toma a decisão, contra a aprovação da família, de ingressar na Ordem fundada por São Domingos. [1] É uma decisão radical e firme de fazer parte de uma ordem mendicante, mas dedicada à pregação, com base nos assíduos e profundos estudos, além do profundo debate cultural e a abertura para as novas estâncias sociais. Deste modo, parece algo estranho, uma Ordem mundana.

Por isso, seus irmãos armaram-lhe uma cilada no caminho a Paris, e o confinaram por vários meses no calabouço. Sua irmã, porém, movida pela luz divina, o liberta e Tomás retoma sua viagem a Paris.

Em Paris, foi discípulo de Santo Alberto Magno (entre os anos de 1243-1248). Em seguida, acompanha seu mestre a Colônia entre os anos de 1248 até 1252. Ano em que retorna a Paris. É nesta época que mostrou seu talento especulativo. Ora, Tomás era chamado de “boi mudo” devido ao seu aspecto reservado e silencioso, mas a pedido de seu mestre em expor a respeito de uma questão, causou surpresa. Assim exclamou Alberto Magno: “Este moço, que nós chamamos de “boi mudo”, mugirá tão forte que se fará ouvir no mundo inteiro”.

Por indicação de Alberto Magno em 1252, Tomás é encaminhado à carreira acadêmica na universidade de Paris. Em 1257 obteve juntamente com São Boaventura, o título de mestre em teologia.

Viajou muito, contribuindo à Ordem dominicana nos capítulos gerais e na criação e instalação de um studium generale (instituto interno de formação). Assim, sua presença foi de extrema importância para as cidades por onde passou, sobretudo, no meio acadêmico, nas universidades, como Nápoles, Colônia, Paris e Roma. Em Viterbo deu início ao esboço de sua maior obra: a suma de teologia.

Em 1270, está novamente em Paris onde entra em luta aberta contra o aristotelismo arrevoísta.

Foi convocado pelo Papa Gregório X ao concílio de Lion, mas em Fossanova (Itália), no mosteiro dos Cistercienses, veio a falecer com a idade de 53 anos. O dia era 07 de Março de 1274. [2]  No leito de morte, ainda obteve forças e expôs aos monges o cântico dos cânticos. 

Obras: 

1.      Comentário sobre as sentenças (1254-1256)

2.      As Sumas:

  • Suma de teologia (1266-1272)
  • Suma contra os gentios (1258-1264)

3.       Questões:

  • De veritates;
  • De anima;
  • De potentia, dentre outras.

4.      Opúsculos filosóficos:

  • De principiis naturae;
  • De ente et essentia, entre outros.

5.      Comentários:

  • Sobre as obras de Aristóteles;
  • Sobre Boécio e sobre Pseudo-Dionísio, o Areopagita (De divinis nominibus).

6.      Escritos filosófico-sociais:

  • De emptione et venditione.


[1] A Ordem Dominicana tendo como nome próprio Ordem dos Pregadores foi fundada em 1215, por São Domingos de Gusmão (1170-1221) em Prouille, região de Toulouse no sul da França, para Pregar o Evangelho aos hereges, a fim de obter a conversão destes e consequentemente, fortalecer o poderio da Igreja.

[2] Sua festa passou a ser comemorada no dia 28 de Janeiro, data da transladação de seu corpo para o convento dos jacobinos em Toulouse em 1369.

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