ONDE ESTIVER  O TEU TESOURO, AÍ ESTARÁ  TEU CORAÇÃO 

É triste a realidade de vivermos em um mundo marcado pela infidelidade, traição, ingratidão e desamor, onde nunca sabemos em quem de fato podemos confiar! Um trecho do Evangelho que sempre questionou toda a minha vida, foi um pequeno versículo do Evangelho de São Lucas, que faz parte da perícope lida e meditada nesta semana (Lc 12, 32-48); “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”(Lc 12,34); e é basicamente sobre este versículo que irei escrever esta semana.

Sabemos que o coração, muito além de ser o órgão responsável pela circulação sanguínea em todo o corpo humano, é também aquele que nos mantém vivos, pois parando o mesmo já não existe mais vida, estamos mortos para este mundo! Responsável pelos nossos desejos, sentimentos, emoções e tantas outras coisas, o coração é também o meio pelo qual nos mantemos unidos a Deus através da Oração contínua.

Belíssima é a tão conhecida jaculatória: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso”; mas que tantas vezes rezamos apenas superficialmente, sem nos darmos conta de que o coração de Jesus, foi o único coração que soube amar de verdade, e o fruto deste amor foi a sua entrega na cruz, para que nós, infiéis e ingratos, fossemos salvos pela generosa fidelidade do seu amor.

Após ter exortado seus discípulos a venderem seus bens, darem esmola, e a construírem bolsas que não se corrompem e nem podem ser violadas por ladrões e pela traça (cf. Lc 12,32-33), Jesus pronuncia o célebre versículo citado já acima, convidando cada um de nós a colocarmos o nosso coração num tesouro que não é outro senão o grande amor que Deus tem por cada um de nós, amor esse, que não nos abandona nunca, não nos faz sofrer, não nos causa tristeza e principalmente nunca nos engana e nem nos causa traição. Infinito é o amor de Deus por nós, a tal ponto de dar-nos seu único Filho como vítima para nossa salvação.

Porém, “o amor não é amado” gritava São Francisco de Assis pelos bosques e praças, convidando-nos a olharmos para o nosso verdadeiro e único tesouro que é o amor de Deus. 

Ó Homem, quantas vezes acumulas tesouros neste mundo, colocando tua esperança e felicidade no ouro, na prata, nas pessoas, nas coisas materiais, em ilusões, em nada mais nada menos do que lixo! Sabeis onde se encontra a fonte de toda alegria e preferis adentrar no pântano tenebroso e traiçoeiro das paixões, ilusões, e tantos outros vícios e amarras que fazem com que as asas leves “do pássaro” sejam sujas pela lama, e assim tornem-se pesadas o impedindo de voar até o regaço daquele que lhe dá abrigo e sustento.

Somente um coração livre das adversidades “impostas” por este mundo, pode manter-se vigilante, aguardando o senhor que pode chegar a qualquer momento e bater na porta querendo entrar (cf. Lc 12, 37); “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo, ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar a mesa e, passando, os servirá” (Lc 12,37).

Que a meditação deste Evangelho nos auxilie a termos a consciência de que o único tesouro merecedor de nosso coração e o amor de Deus, e assim estaremos sempre prontos e disponíveis para atendermos o seu chamado quando bater na porta de nossos corações !

Ir. Lourenço Palata Viola, OSB

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